Bela Malaquias. Para quem não conhece a unita e o seu fundador.
Florbela Catarina “Bela” Malaquias (Luena, 26 de janeiro de 1959) é uma ativista política, jornalista, escritora, ex-militar e advogada angolana. Sua carreira política iniciou-se como ativista da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA).
Participante da guerra civil, tinha a patente de capitã do braço armado da UNITA, as Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA)
Biografia.
Nascida em Luena, em 26 de janeiro de 1959, seu pai é Nelson Malaquias, funcionário da Companhia do Caminho de Ferro de Benguela, e sua mãe é Amélia Malaquias, trabalhadora doméstica. Nelson Malaquias foi um activista anticolonial que, em 1966, tornou-se um dos organizadores das primeiras células da UNITA na província do Moxico. Foi detido pela Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) e encarcerado no Huambo. A sua mãe Amelia, com seis filhos, dentre eles Florbela, foi internada no Presídio de São Nicolau também conhecido como Centro Prisional do Bentiaba, na província do Namibe. Como a militância política da família na UNITA a envolvia desde a sua infância, passou a fazer parte dos quadros da ala feminina do partido, a Liga da Mulher Angolana (LIMA), ainda na adolescência. Foi a autora do hino da LIMA.
Serviu nas FALA ainda nas guerras de independência angolana.
Participou também na guerra civil contra o recém-independente Estado angolano. Ocupou cargos de comando, chegando ao posto de capitã das FALA.
Sua capacidade comunicativa a projetou para tornar-se locutora da rádio partidária “Voz da Resistencia do Galo Negro-Angola” (VORGAN), apresentando vários programas informativos.Foi neste período que ganhou a alcunha de “Bela”.
Enquanto estava na Jamba-Cueio, capital de facto da UNITA, Florbela Malaquias entrou em conflito com Jonas Savimbi, manifestando desacordo com o exacerbado patriarcalismo, militarismo e um culto à personalidade entorno do líder da UNITA.
Neste período o partido, sob ordens de Savimbi, levou a cabo repressões contra suspeitos de conspiração e espionagem, além de execuções com rituais tribais e místicos, das quais as mulheres foram as principais vítimas — episódios conhecidos como “Setembro Vermelho”.No outono de 1983, Florbela Malaquias conseguiu fugir de uma base da UNITA em Bailundo, onde estava encarcerada acusada de traição e feitiçaria, e depois mudar-se para Luanda.
Conseguiu escapar, mas Eugénio Manuvakola, então seu marido, continuou sob custódia do partido. Somente não foi morta na Jamba por intervenção de seu primo, Samuel Epalanga, influente na liderança do partido e chefe dos serviços de inteligência da UNITA, a Brigada Nacional de Defesa do Estado (Brinde) — justamente a organização responsável pelos assassinatos extrajudiciais ordenados por Savimbi.
Em novembro de 2019, Florbela Malachias publicou o livro Heroínas da Dignidade: Memórias de guerra, um invulgar testemunho de um feminicídio e da desmistificação da figura idolatrada de Jonas Savimbi. Ela caracterizou Savimbi negativamente e detalhou os episódios da “caça às bruxas” na Jamba.
A descrição dos episódios provocou uma forte reação de negação por parte dos representantes da UNITA. Foi instaurado um processo criminal devido a ameaças de morte contra ela.
A publicação e as ameaças subsequentes aumentaram dramaticamente a proeminência nacional de Bela Malaquias, tornando-a uma voz associada ao combate ao feminicídio, à violência contra a mulher e à pedofilia.
Por : Cabonda Júnior-Mandavid

