O governo cubano acusa Washington de promover um “bloqueio econômico” com o objetivo de “tomar o país e controlar seu destino”

O governo cubano acusa Washington de promover um "bloqueio econômico" com o objetivo de "tomar o país e controlar seu destino"

O governo cubano ativou mais uma vez sua retórica antiamericana após a divulgação de um novo Memorando Presidencial sobre Segurança Nacional pelo presidente Donald Trump, que fortalece a política de embargo e restringe ainda mais as relações econômicas e de viagens com a ilha.

Em um comunicado do Ministério das Relações Exteriores (MINREX), o regime de Castro respondeu com um discurso que visa reafirmar a noção de que “Cuba é um país pacífico, estável e solidário”, mesmo mergulhando em uma das piores crises de sua história.

Mas a alegação de estabilidade emitida por Havana em sua declaração oficial contrasta fortemente com a dura realidade enfrentada por milhões de cubanos diariamente: cortes de energia que duram mais de 24 horas, escassez crônica de alimentos e medicamentos, colapso do sistema de água, tensões do transporte público, inflação galopante e uma emigração em massa sem precedente.

A declaração do MINREX: vitimismo e propaganda

No texto, o MINREX rejeita “categoricamente” o novo memorando presidencial assinado por Trump em 30 de junho, que descreve como uma “reedição” do documento emitido em 2017, durante seu primeiro mandato.

O governo cubano acusa Washington de tentar “quebrar a vontade política de toda a nação” e de promover um bloqueio econômico com o objetivo de “tomar conta do país e controlar seu destino”.

O regime denuncia que essas medidas se baseiam em pretextos como direitos humanos, democracia ou liberdade religiosa, e como rotulagem de hipócritas.

“É uma conduta abusiva, transgressiva e ilegal”, diz o comunicado. Além disso, afirma que as avaliações visam destruir o socialismo cubano e converter a economia ao capitalismo.

Mas enquanto Havana se apresenta ao mundo como vítima da “agressão imperialista”, a verdade é que o colapso econômico e social de Cuba decorre principalmente da inépcia e paralisia do governo, não do embargo.

As empresas privadas mal operam devido à sufocação burocrática, as remessas do exterior precisam passar por canais estatais que ficam com uma parte do dinheiro e os setores produtivos são controlados por conglomerados militares como a GAESA, que supervisiona tudo, do turismo às.

No entanto, o texto insiste em retratar Cuba como uma “nação soberana” que construiu seu projeto “no pleno exercício de seus direitos”, ignorando os protestos reprimidos, as centenas de presos políticos e o crescente descontentamento popular que se manifesta cada vez mais online e no êxodo constante de jovens.

O memorando de Trump: sufocando o aparato repressivo

novo Memorando Presidencial de Segurança Nacional (NSPM-5) emitido por Trump restaura e fortalece as medidas mais duras adotadas durante seu primeiro mandato.

Especificamente, o documento:

Ela proíbe todas as transações financeiras com empresas controladas pelas Forças Armadas Cubanas, especialmente a GAESA, o braço econômico do regime.

Ela proíbe o turismo dos EUA na ilha e impõe auditorias e registros detalhados para garantir a conformidade.

Reafirma o atual embargo econômico e se compromete a se opor a qualquer tentativa de revogá-lo em fóruns internacionais.

Eliminar os incentivos à migração ilegal, mantendo a revogação da política “Pé molhado, pé seco”.

Ele ordena a preparação de relatórios sobre direitos humanos, detenções arbitrárias e repressão da sociedade civil.

Promove o livre acesso à Internet, a liberdade de imprensa e o apoio à iniciativa privada não estatal.

A narrativa do governo cubano tenta retratar este memorando como um ataque contra toda a população, mas o foco do documento visa claramente desmantelar o aparato repressivo e a elite econômico-militar que o apoia.

A estratégia de Trump se baseia em um princípio fundamental: qualquer alívio econômico que fortaleça os militares ou os serviços de inteligência do regime — e não a sociedade civil — reforça a ditadura, em vez de ajudar o povo.

Reações oficiais: vitimização sem autocrítica

Antes da publicação do comunicado oficial do MINREX, o chanceler Bruno Rodríguez Parrilla descreveu o memorando como “comportamento criminoso” e uma “violação dos direitos humanos” que impede o desenvolvimento do país.

Em sua conta no X, ele culpou o embargo por “punir todo o povo cubano”.

Por sua vez, Miguel Díaz-Canel afirmou que “o impacto será sentido, mas não nos dobrarão” , num tom que buscava firmeza, mas que refletia claramente a preocupação com o que representa esta nova pressão externa.

Díaz-Canel não mencionou que, embora fale em “resistência”, a população não aguenta mais: os hospitais estão sem medicamentos básicos, os apagões deixam cidades inteiras sem eletricidade e o salário médio não é suficiente para comprar um litro de petróleo.

Também não reconhece que o verdadeiro “bloqueio” que sufoca a Ilha é interno: o de um sistema que proíbe a liberdade de associação, a imprensa independente, os partidos políticos, a plena propriedade privada e a alternância no poder.

A mensagem do MINREX tenta projetar uma imagem de coesão e força, mas, na realidade, é uma cortina de fumaça para esconder a profunda decadência interna do regime.

As únicas empresas que continuam investindo em Cuba são aquelas dispostas a navegar em um ambiente dominado pela corrupção, risco legal e incerteza, ou que limitam seriamente qualquer possibilidade de desenvolvimento sustentável.

Enquanto isso, o regime responde às avaliações com o mesmo roteiro de décadas atrás, sem oferecer uma solução única e concreta para melhorar a vida dos cubanos. Em nome da “soberânia”, eles mantêm o país em ruínas.

E assim, em meio a apagões, repressão e discursos vazios, o governo insiste que “Cuba é um país estável”.

Perguntas frequentes sobre o Memorando Presidencial de Trump e seu impacto em Cuba

O que estabelece o novo Memorando Presidencial sobre Segurança Nacional assinado por Trump?

O novo Memorando Presidencial de Segurança Nacional (NSPM-5), assinado por Trump, reforça as medidas de embargo e proibição de transações financeiras com empresas controladas pelas Forças Armadas Cubanas.

Além disso, proíbe o turismo americano em Cuba, reafirma o embargo econômico e promove o livre acesso à internet e a liberdade de imprensa na ilha.

Como o governo cubano respondeu a essas novas avaliações?

O governo cubano descreveu as medidas de Trump como “comportamento abusivo, transgressivo e ilegal”, acusando os Estados Unidos de tentar minar a vontade política da nação cubana.

O regime de Castro mantém a sua retórica de vitimização, culpando o embargo americano pelos seus problemas internos.

Qual é o impacto real dessas medidas na população cubana?

As medidas visam enfraquecer o aparelho repressivo do regime cubano, e não prejudicam a população em geral.

No entanto, a restrição de remessas e a concessão de transações com entidades militares podem ter efeitos indiretos na economia cubana, impactando aqueles que dependem dessas remessas para suprir suas necessidades básicas.