As 13h30, a marcha arrancou, a partir do cemitério de Santa Ana, local de concentração, onde compareceram centenas de manifestantes para expressarem sentimentos e preocupações, destacando-se a presença de alguns deputados do grupo parlamentar da UNITA, maior partido da oposição, e rostos da sociedade civil.
“A subida do preço do combustível é recuar o sonho dos angolanos, adiar os sonhos, por ter uma repercussão muito negativa na vida do povo”, referiu, apontando como consequências o aumento dos preços a todos os níveis.
Além do aumento do preço dos combustíveis, é também uma preocupação, a subida das tarifas dos transportes e das propinas escolares, frisando o aumento das despesas com a alimentação, num “desafio enorme” para as famílias.
Vazaram imagens de captura de tela de conversas mantidas num suposto grupo de WhatsApp da Polícia Nacional, onde se começa a notar um raro e significativo momento de tomada de consciência entre alguns efectivos.
Nas mensagens, os próprios agentes da questionam a legitimidade da repressão violenta contra os manifestantes, reconhecendo que, no fundo, tanto os que protestam nas ruas quanto os “fardados” estão mergulhados no mesmo drama social e económico.
Esta reflexão interna expõe o desgaste do sistema de controlo autoritário e a fadiga moral que já afecta até os seus instrumentos de força.
Quando os próprios polícias começam a reconhecer que o povo tem razão, é sinal de que o poder perdeu a narrativa e a autoridade moral.
Não é apenas um detalhe: é um sintoma de ruptura.
O medo pode calar bocas por um tempo, mas não consegue suprimir a consciência de quem, mesmo fardado, sabe distinguir justiça de obediência cega.
Em cartazes podia ler-se: “Os Pratos estão Vazios, a Coragem está Cheia”,
“A Fome não Espera.
A Nossa Paciência tem Limites”,
“O MPLA é o Câncer do Povo”, “
Gasóleo Sobe, Nós Caímos”.