Luanda, 14 de agosto de 2025 — Em um comunicado duro e direto, a UNITA lançou fortes acusações contra o Presidente da República, João Lourenço, por seu silêncio em relação às mais de 40 execuções sumárias, detenções arbitrárias e o uso desproporcional da força durante os protestos de taxistas no final de julho.
O maior partido da oposição considera que essa inação é uma grave violação do Artigo 108.º da Constituição Angolana, que designa o Chefe de Estado como o principal garante da Lei Fundamental do país.
O comunicado do Comitê Permanente da Comissão Política da UNITA, divulgado em Luanda, não poupou críticas. O partido culpa as “más políticas” do governo, a falha no combate à corrupção e a má distribuição da riqueza nacional como as verdadeiras causas da revolta popular. Em uma crítica incisiva, a UNITA sugere que o governo está criando “fantasmas” e narrativas fictícias para desviar a atenção de suas próprias falhas e silenciar vozes críticas.
A UNITA também levantou a séria preocupação de que o executivo esteja a caminhar em direção a um regime autoritário ou até mesmo a uma ditadura, alertando para a possibilidade de que o governo adie as eleições gerais de 2027, assim como já aconteceu com as eleições autárquicas.
O partido condena as prisões em massa de ativistas e líderes associativos, sugerindo que o objetivo é sufocar a oposição e perpetuar-se no poder.
Ao se solidarizar com as famílias das vítimas e com os líderes associativos detidos, a UNITA se posiciona como a voz da sociedade civil e um fator de estabilidade democrática, apelando ao povo angolano e à comunidade internacional para que se mantenham vigilantes em defesa dos direitos e liberdades constitucionais. O comunicado deixa claro que a luta do partido agora se concentra na defesa da democracia e no combate ao que considera ser um retorno a práticas de um passado de partido único.
