João Lourenço inaugura campus universitário, mas a qualidade do ensino em Angola continua em xeque

João Lourenço inaugura campus universitário, mas a qualidade do ensino em Angola continua em xeque

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João Lourenço inaugura campus universitário, mas a qualidade do ensino em Angola continua em causa

A recente inauguração do novo campus da Universidade Lueji A’Nkonde, no Dundo, pelo Presidente João Lourenço, é um marco significativo em termos de infraestruturas.
No entanto, o evento reacende um debate fundamental e recorrente: o da precariedade do sistema educativo em Angola.
Apesar dos investimentos pontuais, a qualidade do ensino no país é amplamente criticada, com especialistas, pais e alunos a apontarem para uma série de problemas estruturais que afetam a formação de gerações.

Enquanto se celebra a inauguração de uma moderna infra-estrutura, avaliada em 63 mil milhões de kwanzas, a realidade da maioria das escolas e universidades angolanas é bem diferente.
A falta de professores qualificados, os currículos desatualizados, a escassez de materiais didáticos e as infraestruturas deficientes são problemas que persistem e minam a qualidade do ensino a todos os níveis. A falta de laboratórios, bibliotecas e acesso à tecnologia limita o desenvolvimento de competências essenciais para os estudantes.

A fragilidade do sistema de ensino é tão evidente que muitos responsáveis do governo e do partido MPLA optam por enviar os seus filhos para estudar no estrangeiro.
Esta prática, embora compreensível do ponto de vista individual, é vista por muitos como um reflexo da falta de confiança na educação oferecida no próprio país.
Sublinha uma profunda desigualdade social, onde a elite política tem acesso a oportunidades educativas de excelência fora de Angola, enquanto a grande maioria da população tem de se contentar com um sistema deficiente.

A inauguração do novo campus é, sem dúvida, um passo positivo, mas não resolve o problema central.
A verdadeira transformação do sistema de ensino em Angola exige mais do que novas construções.
É necessário investir na formação de professores, na atualização dos currículos e na criação de um ambiente educativo que incentive a inovação e o pensamento crítico.
Só assim o país conseguirá garantir que todos os angolanos, e não apenas a elite, têm acesso a uma educação de qualidade que seja o verdadeiro motor do desenvolvimento nacional.