A mais recente reunião do Conselho da República em Luanda revelou a profundidade da crise política que assola Angola.
O encontro, que deveria focar em soluções para a segurança pública, transformou-se em um palco de confronto direto entre o Presidente João Lourenço e Adalberto Costa Júnior, líder da UNITA.
Pela primeira vez, Lourenço acusou abertamente a UNITA de estar por trás dos recentes protestos que paralisaram a capital, atribuindo os tumultos a discursos inflamados de dirigentes da oposição, em uma guinada estratégica que deixou de culpar as redes sociais.
O Chefe de Estado sustentou suas alegações com vídeos de figuras como Costa Júnior, o general Abílio Numa e o secretário da UNITA em Luanda, Adriano Sapinãla.
As acusações foram corroboradas pelo Procurador-Geral da República, Hélder Pitta Grós, que validou a tese do governo de que os protestos foram agravados por essas declarações, e deixou a porta aberta para novas prisões.
A detenção de líderes de associações de taxistas nas últimas semanas sugere que a repressão a manifestações pode se intensificar.
A defesa do Presidente foi reforçada por figuras influentes, incluindo o general Alexandre Rodrigues “Kito” e o empresário Alfeu Vinevala Sachiquepa, que chegou a acusar a UNITA de reviver o “espírito de 1992” — uma referência ao período de instabilidade após as primeiras eleições multipartidárias.
Em resposta, Adalberto Costa Júnior negou veementemente as acusações, classificando os vídeos como antigos e retirados de contexto.
Ele redirecionou o debate para as causas reais da insatisfação popular: a fome, o desemprego e a pobreza que assolam o país. A posição do líder da oposição foi apoiada por membros de outros partidos, como Felisberta Malaquias (Partido Humanista) e Mimi-a-Simba (FNLA).
Apesar das defesas apresentadas, João Lourenço permanece convicto de que a UNITA tem um plano para tirá-lo do poder por meio de protestos de rua.
A troca de acusações no Conselho da República evidencia uma profunda falta de confiança entre a liderança do país e a principal força de oposição, um cenário que pode agravar a instabilidade política e social em Angola.
