Confirmado uso de software espião contra jornalistas e activistas em Angola
Uma investigação do Laboratório de Segurança da Amnistia Internacional confirma que o jornalista Teixeira Cândido foi alvo de uma operação de espionagem cibernética através do software “Predator”. A denúncia foi revelada em relatório especializado, que aponta para a utilização de tecnologia de vigilância avançada contra membros da sociedade civil.
O ataque ocorreu entre Abril e Junho de 2024 e marca a primeira vez em que é documentado, em Angola, o uso desta ferramenta de vigilância de elite considerada uma das mais intrusivas do mercado.
Segundo fontes próximas à investigação, além de Teixeira Cândido, outras figuras entre jornalistas, activistas e académicos também poderão ter sido alvo de operações semelhantes, embora esses casos ainda não tenham sido confirmados publicamente.
O visado, antigo Secretário-Geral do Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) e uma das vozes críticas na defesa da liberdade de imprensa, descreveu o impacto pessoal da descoberta.
— Teixeira Cândido
De acordo com o relatório, o ataque teve início através de uma técnica de “engenharia social”, método que procura enganar a vítima para que esta execute acções que permitam a instalação do software espião no dispositivo.
Especialistas em segurança digital alertam que o uso de ferramentas como o Predator representa uma ameaça grave aos direitos humanos, à liberdade de imprensa e à privacidade, sobretudo quando dirigido contra jornalistas e activistas.
O caso surge num contexto internacional em que governos e empresas têm sido alvo de processos judiciais e condenações por utilização indevida de software de vigilância. No Reino Unido, por exemplo, um tribunal ordenou em Janeiro que o governo da Arábia Saudita pagasse uma indemnização de quatro milhões de dólares a um activista cujo telefone foi infectado com tecnologia semelhante.
