Angola: A Sonangol quer acelerar a sua diversificação para minerais críticos
Ainda fortemente dependente dos hidrocarbonetos, Angola pretende acelerar a diversificação do seu modelo extrativo. A sua companhia nacional, Sonangol, quer desenvolver o seu potencial mineiro ainda pouco explorado e posicionar-se nas cadeias de valor da transição energética.
A Sonangol, empresa nacional angolana, anunciou a sua intenção de reforçar a diversificação para minerais críticos, nomeadamente urânio e lítio, no âmbito de uma estratégia destinada a alargar o seu portefólio para além do petróleo e do gás.
Segundo o diretor-geral, Sebastião Gaspar Martins, a empresa já dispõe de várias concessões de exploração nesses segmentos, o que marca uma viragem estratégica para um grupo historicamente centrado nos hidrocarbonetos.
Esta orientação surge num momento em que a Sonangol registou um lucro líquido de mais de 750 milhões de dólares em 2025, mantendo uma produção de cerca de 217.000 barris equivalentes de petróleo por dia, confirmando o peso ainda dominante do petróleo no seu modelo económico.
Ao posicionar-se no segmento dos minerais ligados à energia e às tecnologias industriais, o grupo angolano procura antecipar a evolução estrutural dos mercados globais, onde a procura por recursos críticos apresenta um crescimento sustentado.
«Será também muito útil para nós ter participação e presença no desenvolvimento destes minerais», afirmou o dirigente, citado pela Reuters.
Em linha com a estratégia nacional extrativa
Para além de uma estratégia empresarial, este reposicionamento insere-se numa orientação mais ampla das autoridades angolanas que visa transformar o setor extrativo num motor de diversificação económica.
Durante muito tempo dominado pelo petróleo e pelos diamantes, o modelo extrativo angolano está a passar por reformas graduais destinadas a desenvolver a exploração de outros recursos minerais e a atrair investimentos internacionais para o setor mineiro. O Estado implementou, nomeadamente, mecanismos de governação setorial e modernizou o quadro regulamentar, em particular através do lançamento de um cadastro mineiro digital.
A transição para os minerais críticos baseia-se no significativo potencial geológico do país. Angola identificou recursos de lítio, cobre, quartzo, cobalto, manganês, urânio, ferro e terras raras, além dos diamantes, que continuam a ser o principal segmento mineiro estruturado do país.
Vários destes minerais ocupam um lugar central nas cadeias de valor da transição energética. O lítio e o cobalto são essenciais para a fabricação de baterias elétricas, enquanto o cobre é indispensável para as infraestruturas elétricas e as energias renováveis. O urânio, por sua vez, mantém um papel estratégico nas políticas de energia de baixo carbono de muitas economias.
Esta estratégia insere-se igualmente numa crescente competição geoeconómica pelo acesso a minerais críticos, na qual os Estados procuram garantir as suas cadeias de abastecimento e captar mais valor localmente. Para Luanda, o desafio vai além da simples diversificação setorial: trata-se de preparar o período pós-petróleo, valorizando o seu potencial mineiro e reposicionando a Sonangol como um instrumento central da transformação do setor extrativo nacional.
Em 2022, o setor mineiro representava 1,3 % do PIB angolano, percentagem que as autoridades pretendem aumentar para 1,6 % até 2027. Até lá, Luanda espera atrair 2 mil milhões de dólares em investimentos acumulados no setor mineiro, excluindo diamantes.
