Angola: Produção petrolífera recua 8,5% desde a saída da OPEP

Angola: Produção petrolífera recua 8,5% desde a saída da OPEP
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Angola: Produção petrolífera recua 8,5% desde a saída da OPEP
Angola: Produção petrolífera recua 8,5% desde a saída da OPEP
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Angola: Produção petrolífera recua 8,5% desde a saída da OPEP

A produção petrolífera angolana registou uma queda de 8,49% em 2025, comparativamente ao ano anterior, segundo dados oficiais do sector. O recuo acontece pouco mais de um ano após o país ter anunciado a sua saída voluntária da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), decisão que foi justificada, na altura, com a necessidade de defender os interesses nacionais.

De acordo com o balanço divulgado, Angola produziu 377,5 milhões de barris de petróleo em 2025, o que corresponde a uma média diária de cerca de 1,034 milhões de barris. Desse total, 357,10 milhões de barris foram exportados, gerando receitas estimadas em 24 mil milhões de dólares para o Estado.

Os números confirmam uma redução significativa face a 2024, ano em que o país produziu cerca de 412 milhões de barris, com uma média diária aproximada de 1,12 milhões de barris. A quebra ocorre num contexto de transição estratégica do sector petrolífero, marcado pela saída da OPEP e pela tentativa de Angola ganhar maior autonomia na definição dos seus níveis de produção.

Saída da OPEP e divergências sobre quotas

A 21 de Dezembro de 2023, o Governo angolano anunciou oficialmente a saída da OPEP, organização da qual fazia parte desde 2006. A decisão foi comunicada pelo ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, que defendeu que a permanência no grupo deixara de trazer benefícios concretos ao país.

O principal ponto de discórdia estava relacionado com a quota de produção atribuída a Angola para 2024. A OPEP fixara o limite em 1,110 milhões de barris por dia, enquanto o Executivo angolano defendia uma meta de 1,180 milhões de barris diários, alegando que o país precisava de aumentar a produção para reforçar as receitas públicas e estimular o investimento no sector.

Apesar da divergência, Angola encerrou o ano de 2024 com uma produção total de cerca de 412 milhões de barris, equivalente a uma média diária de 1,12 milhões de barris, valor que ficou aproximadamente 200 mil barris acima da quota inicialmente atribuída pela organização.

Desafios estruturais e maturidade dos campos

Especialistas do sector apontam que a queda na produção em 2025 não pode ser explicada apenas pela saída da OPEP. Entre os principais factores estão a maturidade de vários campos petrolíferos, a redução natural das reservas em blocos mais antigos e os atrasos na entrada em produção de novos projectos.

Angola tem vindo a enfrentar um declínio gradual na produção ao longo da última década, resultado da falta de investimentos significativos em exploração e desenvolvimento de novos campos. Embora o Governo tenha lançado vários incentivos fiscais e contratuais para atrair companhias internacionais, os resultados ainda não se traduziram num aumento expressivo da produção.

Impacto nas finanças públicas

Apesar da queda de produção, as receitas de exportação mantiveram-se elevadas, atingindo cerca de 24 mil milhões de dólares em 2025. Analistas explicam que a manutenção das receitas está relacionada com o comportamento dos preços internacionais do petróleo, que compensaram parcialmente a redução do volume exportado.

Ainda assim, a diminuição da produção levanta preocupações sobre a sustentabilidade das finanças públicas a médio prazo, uma vez que o petróleo continua a ser a principal fonte de receitas externas e fiscais de Angola.

Perspectivas para os próximos anos

O Executivo tem apostado em novos leilões de blocos petrolíferos e em parcerias com multinacionais para reverter a tendência de queda. Projectos em águas profundas e ultra-profundas são vistos como essenciais para recuperar os níveis de produção.

No entanto, especialistas alertam que os resultados dessas iniciativas poderão levar vários anos a materializar-se, devido aos elevados custos de investimento e ao tempo necessário para o desenvolvimento dos campos.

Com a saída da OPEP, Angola ganhou maior liberdade para definir as suas metas de produção. Contudo, os números de 2025 indicam que os desafios do sector petrolífero angolano vão além das quotas internacionais e passam, sobretudo, pela necessidade de novos investimentos e pela renovação das reservas.