Cidadão russo detido em Luanda em estado crítico de saúde Lev Lakshtanov sofre de asma crónica e agravamento cardíaco em prisão preventiva

Cidadão russo detido em Luanda em estado crítico de saúde Lev Lakshtanov sofre de asma crónica e agravamento cardíaco em prisão preventiva

Luanda — O cidadão russo Lev Lakshtanov, de 64 anos, detido desde agosto em Luanda, encontra-se em estado crítico de saúde, segundo informações apuradas por fontes próximas do processo. O detido, que se encontra em prisão preventiva no Hospital Prisão de São Paulo, sofre de asma brônquica crónica, hipertensão arterial avançada, insuficiência cardíaca e problemas oftalmológicos graves, com risco de descolamento de retina.
De acordo com os advogados de defesa, Lakshtanov sofreu recentemente um ataque agudo de asfixia, obrigando à intervenção imediata dos guardas prisionais. As mesmas fontes recordam que o cidadão russo já havia sofrido um ataque cardíaco em agosto, pouco depois da sua detenção.
Em virtude do agravamento clínico, a defesa solicitou às autoridades a transferência para prisão domiciliar ou hospital civil, alegando risco de vida iminente. Até ao momento, o pedido não obteve resposta.
O processo em que Lakshtanov está envolvido inclui outro cidadão russo e vários angolanos, acusados de associação criminosa, falsificação de documentos, introdução ilícita de moeda estrangeira, terrorismo e financiamento ao terrorismo. Apesar da gravidade das acusações, não foram apresentadas denúncias formais e não há diligências investigativas recentes, segundo fontes judiciais.
O caso remonta a 13 de agosto, quando o Serviço de Investigação Criminal (SIC) anunciou a detenção de dois russos — Lev Lakshtanov e Ígor Racthin — e dos angolanos Amor Carlos Tomé e Oliveira Francisco, no âmbito de um suposto esquema de desinformação e manipulação política ligado à organização Africa Politology.
Foram apreendidos computadores, telemóveis, dispositivos de armazenamento e valores em kwanzas e moeda estrangeira. Parte dos arguidos responde ao processo em liberdade provisória, sob termo de identidade e residência.
O Ministério das Relações Exteriores notificou as autoridades diplomáticas russas, mas até o momento não houve qualquer pronunciamento oficial de Moscovo nem da Procuradoria-Geral da República sobre o estado de saúde do detido.
O caso tem despertado preocupação entre observadores internacionais, dado que Angola ocupa atualmente um assento no Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, o que aumenta a pressão para garantir o cumprimento das normas internacionais sobre o tratamento de pessoas privadas de liberdade.