A crise econômica e financeira que aperta o dia a dia dos angolanos contrasta de forma gritante com a execução orçamental do Governo.
Enquanto a população enfrenta o aumento dos preços e a falta de emprego, o Executivo continua a fazer despesas milionárias com indemnizações e restituições que não estão previstas no Orçamento Geral do Estado (OGE).
A situação atingiu um novo patamar no primeiro semestre de 2025, com o Governo a desembolsar 9,457 mil milhões de kwanzas em pagamentos não orçamentados.
Este valor representa um aumento de 278% em comparação com os 2,496 mil milhões de kwanzas gastos no mesmo período do ano passado, evidenciando uma escalada alarmante no uso de recursos públicos fora do planeamento oficial.
A análise das contas dos últimos anos revela um padrão de gastos opacos e consideráveis. Em 2024, o Governo gastou um total de 19,354 mil milhões de kwanzas com essa rubrica, sendo a maior parte desse montante (13,044 mil milhões de kwanzas) desembolsada apenas no último trimestre.
O total acumulado de despesas com indemnizações e restituições desde 2022 ultrapassa os 40,484 mil milhões de kwanzas, um valor expressivo que poderia ser direcionado para programas sociais e serviços essenciais.
O problema não é apenas o montante, mas a falta de transparência.
As despesas com indemnizações, que contribuem consideravelmente para o aumento dos gastos correntes, raramente são justificadas publicamente.
De acordo com os relatórios, o Governo só explicou a razão destes pagamentos em duas ocasiões, deixando a maioria das transações sem uma justificação clara.
A incongruência entre a austeridade exigida ao povo e o gasto de fortunas fora do orçamento oficial alimenta a desconfiança e a frustração da sociedade, em um momento em que a crise exige a máxima prudência e responsabilidade na gestão dos fundos públicos.
