Escândalo no Cuchi? Casas entregues pelo Governo do Cubango levantam dúvidas — sociedade angolana interroga‑se
A entrega de 23 habitações dos tipos T2 e T3 na aldeia Ntumbo‑Ya‑Kanguina, município do Cuchi, pelo Governo Provincial do Cubango, está a gerar uma onda crescente de questionamentos entre sobas, moradores e observadores locais — um debate que começa agora a ecoar a nível nacional.
Embora o projecto tenha sido apresentado como parte do Programa de Requalificação das Aldeias, multiplicam‑se dúvidas sobre a qualidade das construções em adobo e sobre a transparência financeira da empreitada.
Sociedade angolana interroga‑se
Perante imagens e relatos vindos do terreno, sectores da sociedade angolana começam a questionar se os padrões de qualidade e fiscalização foram devidamente cumpridos.
Entre as perguntas que ganham força no espaço público estão:
- As casas cumprem os requisitos técnicos de durabilidade?
- O custo das habitações corresponde à qualidade apresentada?
- Houve fiscalização independente da obra?
- Está o Estado a garantir o melhor uso dos recursos públicos?
Orçamento permanece sob reserva
Outro ponto que alimenta o debate é a ausência de informação detalhada sobre o financiamento do projecto.
Continuam sem resposta pública clara:
- o valor global da empreitada;
- o custo por unidade habitacional;
- a identidade completa do empreiteiro e modelo de adjudicação;
- os mecanismos de controlo de qualidade aplicados.
Especialistas em governação alertam que, em programas financiados com fundos públicos, a transparência não é opcional — é condição de confiança pública.
Pressão por esclarecimentos
Durante a cerimónia oficial foi descerrada a placa do programa sob o lema “Cuchi unidos, rumo ao desenvolvimento”. No entanto, entre líderes comunitários cresce a expectativa de que o Executivo provincial apresente esclarecimentos técnicos detalhados.
Analistas ouvidos por este jornal consideram que o silêncio institucional prolongado tende a ampliar a desconfiança pública, sobretudo em projectos de habitação social.
Governo ainda não respondeu
Até ao fecho desta edição, o Governo Provincial do Cubango não havia divulgado resposta técnica às preocupações levantadas nem apresentado o orçamento discriminado das obras.
Enquanto isso, a questão começa a ultrapassar o plano local. A sociedade angolana observa e interroga‑se.
