Angola tem uma Vice-Presidente com um currículo que qualquer país em desenvolvimento desejaria ter. Doutorada. Investigadora. Especialista em ambiente, biodiversidade, pescas e ciência.
Mas governa como se nada disso existisse.
Um cargo alto. Um impacto baixo.
Desde a sua eleição em 2022, Esperança Maria Eduardo da Costa ocupa o segundo cargo mais importante do Estado angolano.
O problema não é o currículo. O problema é a irrelevância política prática do cargo que exerce.
Conhecimento que não governa
Num país marcado pela crise ambiental, insegurança alimentar, colapso das pescas artesanais e ausência de ciência aplicada ao desenvolvimento, seria lógico esperar liderança técnica firme.
Não aconteceu.
O saber ficou nos diplomas. O poder ficou noutro lugar.
Vice-Presidente ou peça decorativa?
A questão já não é académica. É política.
A Vice-Presidente governa ou apenas ocupa espaço?
Se não decide, não lidera e não influencia políticas estruturantes, então a Vice-Presidência transforma-se num cargo simbólico, útil apenas para equilíbrio interno do partido e narrativa institucional.
Responsabilidade não é ornamental
Ser Vice-Presidente não é um prémio de carreira. É uma função de responsabilidade histórica.
Angola não precisa de biografias longas. Precisa de decisões corajosas.
Precisa de políticas públicas com assinatura, direção e consequências reais.
O silêncio também governa
A ausência de ação não é neutra. Ela mantém tudo como está.
E manter tudo como está, num país em crise estrutural, é uma forma de governação — a governação da estagnação.
Conclusão
A escolha de Esperança da Costa foi vendida como símbolo de modernidade, ciência e inclusão.
Sem resultados visíveis, símbolos esvaziam-se.
Angola não precisa de figuras decorativas no topo do Estado. Precisa de líderes que governem — ou que tenham coragem de dizer que não os deixam governar.
