Estudar num colégio privado pode custar até 399 vezes o salário mínimo nacional

Estudar num colégio privado pode custar até 399 vezes o salário mínimo nacional

Estudar num colégio privado de Luanda pode ter um custo exorbitante, chegando a 19,6 milhões de kwanzas por ano. Este valor é cerca de 399 vezes superior ao salário mínimo nacional, que é de 50 mil kwanzas. A ausência de um sistema público de ensino de qualidade e acessível tem levado à proliferação de escolas privadas, algumas delas de “luxo”, que acentuam a desigualdade no acesso à educação.

 

Diferentes Preços, Mesma Realidade

 

Uma ronda do jornal Expansão por oito dos colégios mais procurados da capital angolana revelou uma grande variação nas mensalidades, que vão de 71 mil a quase 2 milhões de kwanzas. A Escola Internacional de Luanda lidera o ranking, com uma mensalidade de cerca de 1,9 milhões de kwanzas, totalizando 19,9 milhões por ano. Além das propinas, os pais ainda enfrentam custos adicionais, como a taxa de inscrição que pode chegar a quase 5 milhões de kwanzas.

Outras escolas de destaque, como a Escola Internacional Americana, o Colégio São Francisco de Assis e o Colégio Angolano de Talatona, também cobram propinas elevadas, variando entre 390 mil e 1,4 milhões de kwanzas por mês. Mesmo nos colégios mais acessíveis, como o Colégio Elizangela Filomena e a Escola Pitruca, as mensalidades continuam a ser um desafio para a maioria da população.

 

Razões Apontadas para os Custos Elevados

 

Segundo a administração das escolas privadas, os preços são justificados pela qualidade das instalações, o acompanhamento personalizado, a segurança e a contratação de professores estrangeiros. Os salários destes docentes, indexados a moedas como o euro e o dólar, contribuem para o encarecimento dos custos. Alunos estrangeiros chegam a pagar valores ainda mais elevados, como 36,4 milhões de kwanzas por ano na Escola Internacional de Luanda.

 

Contraste com o Ensino Público e Desafios do Estado

 

Apesar de o governo angolano afirmar que a educação é uma prioridade, a execução orçamental do setor contrasta com o discurso oficial. No primeiro semestre, apenas 24% das verbas destinadas à Educação foram utilizadas, demonstrando uma prática recorrente de orçamentar a mais e executar a menos.

Angola continua muito aquém da meta internacional de gastar 20% do seu orçamento em educação, o que força muitos angolanos a recorrerem a escolas privadas, mesmo as de baixa qualidade, para suprir a falta de vagas no sistema público.

Fonte : Expansão