O Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA), instituição reestruturada durante o consulado do falecido Presidente José Eduardo dos Santos, com o objectivo de apoiar as famílias rurais e impulsionar a produção agrícola nacional, enfrenta actualmente duras críticas quanto à sua gestão e eficácia.
Números positivos, impacto questionável
Sob a liderança de Felisbela Francisco, o FADA apresenta estatísticas elevadas de desembolsos financeiros, frequentemente usadas como prova de sucesso da actual gestão. No entanto, críticos afirmam que estes números resultam, sobretudo, da concessão de crédito a empresas e indivíduos ligados a círculos de influência política.
Segundo fontes do sector, esses financiamentos têm pouco ou nenhum impacto real no meio rural, deixando de fora o pequeno agricultor, que continua a enfrentar pobreza extrema e falta de acesso ao crédito.
Campo esquecido
Nas zonas rurais, a realidade contrasta com os relatórios oficiais: produção feita à enxada, famílias inteiras a trabalhar desde a madrugada, crianças no campo e colheitas destinadas a mercados informais como o Cantinton e o Mercado do 30.
Especialistas recordam que, em países como o Zimbabwe, é o pequeno agricultor quem mais contribui para o crescimento do PIB agrícola, realidade que, segundo os críticos, é ignorada pela actual estratégia do FADA.
Missão ao Brasil gera polémica
A recente nota institucional intitulada “FADA realiza visita estratégica ao Brasil para reforço da cooperação agrária” intensificou as críticas. Apesar do objectivo anunciado de troca de experiências, a composição da delegação levantou sérias dúvidas.
A missão integrou quadros das áreas de risco, auditoria, compliance e jurídico, sem a presença de agrónomos ou técnicos agrícolas especializados.
“Pareciam peixinhos fora de água. Não dominavam o agronegócio e dificilmente levarão algo que ajude a melhorar o trabalho em Angola.”
Quadros experientes deixados de fora
Internamente, aponta-se que técnicos agrícolas experientes e com vários anos de casa foram excluídos da missão, decisão atribuída directamente à PCA Felisbela Francisco. Para os críticos, a delegação deveria ter sido liderada por um agrónomo.
A sucessão de decisões controversas reforça a percepção de que o FADA se encontra afastado da sua missão original, navegando sem rumo claro e distante da realidade do campo.
“Estamos paiados.”
