Imprensa pública angolana entra em greve a partir de 8 de setembro

Imprensa pública angolana entra em greve a partir de 8 de setembro

 

LUANDA – O Sindicato dos Jornalistas Angolanos (SJA) anunciou, após uma Assembleia-Geral, o início de uma greve que afetará as principais empresas de comunicação social pública do país. A paralisação, que começa à meia-noite de 8 de setembro e não terá serviços mínimos, foi convocada por causa do incumprimento de um caderno de reivindicações, com destaque para a exigência de um reajuste salarial de até 58%.

A greve está prevista para acontecer em quatro fases ao longo do ano:

  • 1ª fase: 8 a 12 de setembro
  • 2ª fase: 9 a 19 de outubro
  • 3ª fase: 10 a 24 de novembro
  • 4ª fase: 10 a 24 de dezembro

A paralisação vai envolver as empresas públicas TPA, Jornal de Angola, Angop e Rádio Nacional de Angola, além dos meios que passaram recentemente para o domínio do Estado, como a TV Zimbo, o jornal “O País” e a Rádio Mais.

Antecedentes e resposta do governo

 

O secretário-geral do SJA, Pedro Miguel, confirmou que os profissionais não vão garantir serviços mínimos durante a greve. O protesto é uma resposta direta ao não cumprimento de um caderno de reivindicações entregue às empresas e ao Ministério de Tutela em abril.

Em resposta, o Ministério das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social informou que o governo aprovou uma proposta de progressão de carreiras a partir de janeiro de 2026, com um aumento inicial de 31%. A pasta ministerial afirmou que o pacote salarial total pode chegar a 58%, e em alguns casos, até 75%, até o próximo ano.

O secretário de Estado para a Comunicação Social, Nuno Caldas Albino, sublinhou que a proposta do Executivo reflete as “condições reais que o Estado possui” no momento, e reafirmou a importância de manter um diálogo contínuo com os representantes da classe jornalística.