Juventude sem voz: Rui Falcão e Danila Bragança empurram Joaquim Caiombo para o CNJ

Juventude sem voz: Rui Falcão e Danila Bragança empurram Joaquim Caiombo para o CNJ

Distante das lutas reais e ausente do país, Caiombo é desconhecido pela maioria dos jovens. A sua ascensão ameaça transformar o CNJ num instrumento político, agravando a crise de legitimidade.

A sucessão no Conselho Nacional da Juventude (CNJ) está a ser moldada nos bastidores do poder.

A Secretária de Estado para a Juventude, Danila Bragança, e o ministro da Juventude e Desportos, Rui Falcão, têm manifestado apoio à possível ascensão de Joaquim Caiombo, atual diretor-geral do Instituto Angolano da Juventude, à liderança do órgão juvenil.

No entanto, a escolha levanta sérias dúvidas sobre a representatividade. Os jovens não conhecem Joaquim Caiombo, nem o reconhecem como defensor da sua causa.

A sua ausência no terreno, somada ao facto de passar grande parte do tempo em Lisboa, onde vive a sua família, torna-o um nome distante da realidade juvenil angolana.

 

Num momento em que o CNJ enfrenta caducidade estatutária e descrédito público, a aposta em figuras desligadas da juventude pode aprofundar ainda mais o fosso entre a instituição e aqueles que deveria servir.

CNJ: estabilidade antes de tudo

As críticas em torno da suposta caducidade do mandato de Isaías Kalunga no Conselho Nacional da Juventude (CNJ) precisam ser vistas com cautela.
Embora os estatutos prevejam a realização da Assembleia de renovação 90 dias antes do fim do mandato, não se pode ignorar que o contexto atual do país exige continuidade e estabilidade.

A juventude enfrenta desafios sérios no acesso à educação, ao emprego e à habitação, e interromper projetos em curso por mera formalidade estatutária seria um retrocesso.
Kalunga liderou iniciativas concretas, como a atribuição de bolsas de estudo, habitação social e programas de empreendedorismo.

Estes ganhos não podem ser postos em causa por uma leitura rígida do calendário eleitoral.
Mais do que uma disputa sobre prazos, o debate deve concentrar-se na eficácia das políticas juvenis.

A renovação de mandatos é importante, mas não deve transformar-se em obstáculo à continuidade de projetos que beneficiam milhares de jovens em todo o país.