Opinião de Fragata de Morais: A dura realidade da educação em Angola — um ministério esquecido no OGE
A nomeação da nova ministra da Educação, doutora Erika Batalha, surge num momento particularmente sensível para o sector, marcado por velhos conflitos com o SINPROF, falta de recursos e um sistema de ensino que continua a enfrentar graves dificuldades estruturais.
Apesar das expectativas que acompanham qualquer mudança de liderança, muitos analistas e observadores acreditam que a missão da nova titular será extremamente difícil, sobretudo num ministério historicamente subfinanciado no Orçamento Geral do Estado.
Ao longo dos anos, a educação tem sido apontada como uma das áreas mais negligenciadas em termos de investimento público. Escolas sem condições, turmas superlotadas, falta de material didáctico, professores mal remunerados e conflitos laborais recorrentes com o sindicato dos professores são apenas alguns dos problemas que persistem de forma crónica.
O conflito com o SINPROF, que se arrasta há anos, continua a afectar o normal funcionamento das escolas e a estabilidade do calendário lectivo. Greves, paralisações e negociações inconclusivas tornaram-se parte da rotina do sector, com impactos directos na qualidade do ensino e no rendimento dos alunos.
Para muitos especialistas, o principal obstáculo não está apenas na gestão, mas na falta de prioridade política dada à educação. Com uma fatia considerada reduzida do orçamento, o ministério enfrenta dificuldades para responder às necessidades básicas do sistema.
A nova ministra, cuja experiência está mais ligada ao ensino superior, terá agora de lidar com a complexa realidade do ensino geral, onde os problemas são mais visíveis e urgentes.
Sem aumento significativo do investimento, sem diálogo efectivo com os sindicatos e sem reformas estruturais, muitos acreditam que nenhuma ministra terá condições reais para transformar o sector.
Enquanto isso, alunos continuam a estudar em condições precárias, professores mantêm reivindicações antigas e o ministério segue tentando equilibrar expectativas elevadas com recursos limitados.
A pergunta que permanece é se haverá vontade política suficiente para colocar a educação no centro das prioridades nacionais.
