POLÍCIA FISCAL RAPTA E FAZ CÁRCERE PRIVADO DE DOIS CIDADÃOS

POLÍCIA FISCAL RAPTA E FAZ CÁRCERE PRIVADO DE DOIS CIDADÃOS

LUANDA — A Polícia Fiscal de Angola está sob grave acusação de ter detido ilegalmente dois cidadãos, desencadeando um processo que levanta sérias questões sobre o abuso de autoridade e a legalidade das ações policiais no país.

As vítimas, identificadas como Pereira André dos Santos e Josué Amado Zinga, teriam sido presas sem mandado, sem flagrante delito e sem um processo judicial formalmente instaurado.

Os superintendentes da Polícia Fiscal, António Pedro “Rundu” e Prazeres Monteiro, são apontados como os responsáveis pela detenção, que, segundo relatos, ocorreu na sexta-feira, 12 de setembro de 2025, nas instalações da Polícia Fiscal em Luanda.

Fontes ligadas ao caso afirmam que, após a detenção, as vítimas não foram apresentadas à Procuradoria-Geral da República (PGR).

Um processo teria sido forjado somente na segunda-feira, 15 de setembro, para justificar a prisão e, supostamente, enviado de forma incorreta para o Departamento Nacional de Investigação Criminal e Acção Penal (DNIAP).

As irregularidades, segundo as denúncias, não pararam por aí.

No sábado, 13 de setembro, familiares dos detidos foram contactados por pessoas não identificadas, que teriam exigido 2 milhões de Kwanzas para a soltura dos cidadãos sem a intervenção da PGR. Após o fracasso da tentativa de extorsão, os detidos teriam sido mantidos em “cárcere privado”.

Os advogados das vítimas, ao buscarem informações na PGR, foram dispersados para diferentes instâncias do órgão, que alegaram não ter recebido qualquer processo referente aos detidos, reforçando as suspeitas de uma detenção completamente ilegal. A Inspecção-Geral da Administração do Estado (IGAE), por sua vez, teria se negado a intervir por alegada falta de provas.

Diante do cenário, a situação dos detidos continua incerta, e o caso expõe a vulnerabilidade de cidadãos frente a um suposto abuso de poder. A injustiça descrita exige uma resposta urgente e transparente das autoridades para que se investigue a fundo as acusações e se garanta que os responsáveis, caso as denúncias sejam comprovadas, sejam levados à justiça.