LUANDA – Vendedores na comuna do Ramiro, em Belas, estão em conflito com os Serviços de Fiscalização local, acusando as autoridades de demolir as suas lojas e barracas de forma “abusiva e ilegal”. A situação, que ecoa a crise no KM-30, no Sequele, está a gerar revolta e ameaças de protesto político.
As demolições, segundo relatos de uma vendedora ao jornal Pungo a Ndongo, começaram no início da semana.
As barracas de comes e bebes, localizadas em frente a uma bomba de combustível da Sonangol, foram derrubadas.
Os vendedores foram realocados para um mini-mercado próximo à escola da ADPP, em direção à Barra do Kwanza.
A insatisfação dos comerciantes, contudo, é alta.
Eles afirmam que o novo local não tem capacidade para todos e carece de condições de segurança e salubridade.
A situação piorou na manhã da última sexta-feira, 5, quando a fiscalização intensificou as demolições de outras lojas que haviam sido construídas pela antiga administração no novo local, aumentando o descontentamento.
Acusações de Corrupção e Chantagem Política
Os vendedores acusam a Administração Municipal do Ramiro de estar a realojá-los para ceder os espaços a novos donos, “preferencialmente cidadãos estrangeiros”, em troca de favores financeiros.
A denúncia ganha força com a visível construção de novos estabelecimentos comerciais por cidadãos da África Ocidental e asiáticos na região.
Segundo a fonte do jornal, fiscais da própria administração estariam envolvidos numa “negociata de terrenos”, um assunto que, dizem, é do conhecimento das autoridades máximas do município, mas nunca foi investigado.
A tensão escalou a ponto de alguns vendedores ameaçarem não votar no MPLA nas eleições gerais de 2027 como forma de protesto contra as “demolições ilegais e abusivas”.
Eles acusam a atual gestão de “excesso de zelo” e de falta de diálogo, comportamento que difere do de administrações anteriores.
Resposta da Administração Municipal
Em resposta às acusações, uma fonte próxima ao gabinete do administrador municipal, Wilson Morais, confirmou a transferência dos vendedores e a demolição dos estabelecimentos.
A ação, segundo a fonte, faz parte do Programa de Reordenamento do Comércio (PRC) do Governo Provincial de Luanda (GPL).
A fonte da administração negou as acusações de coação, afirmando que houve negociações com todos os comerciantes que ocupavam “locais impróprios”, o que constitui “transgressão administrativa” de acordo com a lei.
A mesma fonte admitiu que houve resistência por parte de alguns vendedores, mas reforçou que o objetivo do programa é organizar a venda ambulante, melhorar o saneamento, a fluidez do trânsito e garantir a segurança pública.
