Refinaria de Cabinda: “Nado morto” inaugurado há 5 meses ainda não produz uma gota de gasóleo ou gasolina
A Refinaria de Cabinda, inaugurada com pompa pelo Presidente João Lourenço em setembro de 2025, continua sem operar comercialmente, cinco meses depois. O projeto, entregue à empresa GEMCORP por ajuste direto, é acusado de ser um “nado morto” que até agora só gerou frustração e dívida para o Estado angolano.
Principais pontos do caso:
- Promessas não cumpridas: O Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás prometeu que até dezembro de 2025 Angola produziria os primeiros derivados. Nada aconteceu.
- Investimento questionável: O projeto já consumiu mais de 473 milhões de dólares, com financiamento internacional, mas ainda não saiu um litro de gasóleo para venda.
- Acordo leonino: O contrato garante 90% dos lucros à GEMCORP e apenas 10% à Sonangol (Estado angolano).
- Falhas técnicas e financeiras: A Sonangol teve de avançar com pagamentos que seriam responsabilidade da GEMCORP, devido a supostas dificuldades financeiras da empresa ligadas a sanções internacionais.
- Troca controversa de concessionários: O projeto foi retirado ao consórcio inicial (United Shine) e entregue à GEMCORP, um fundo sem experiência prévia em refinarias.
- Discurso na Assembleia Nacional: O deputado da UNITA, Lourenço Lumingo, confirmou: “A refinaria de Cabinda continua à espera da saída da primeira gota de gasóleo”.
Propriedade e estrutura do projecto
A refinaria de Cabinda é apontada como propriedade de Manuel Vicente e do empresário brasileiro de origem japonesa Minoru Dondo, tendo como “testa de ferro” a GEMCORP, cujo presidente do conselho de administração é o búlgaro Atanas Bostandjiev. O Estado angolano detém apenas 10 por cento do projecto e, segundo críticos, poderá ficar mais de 30 anos sem receber retornos directos significativos da exploração.
Atanas Bostandjiev, nascido na Bulgária, é actualmente CEO da Gemcorp Capital LLP. Antes disso, foi CEO do banco russo VTB Capital entre 2011 e 2014, tendo passado também pelos bancos de investimento norte-americanos Goldman Sachs (2008-2010) e Merrill Lynch (2001-2008).
O gestor foi chamado para dirigir a GEMCORP pelo empresário Minoru Dondo, associado a interesses empresariais em Angola. Além da refinaria de Cabinda, a Gemcorp gere no país o fundo Kassai, que conta com o apoio do Banco Nacional de Angola por mais seis anos, a partir de 2024.
Conclusão:
Mais do que um atraso, o caso revela possíveis falhas graves na gestão de projetos estratégicos e levanta dúvidas sobre transparência e benefício real para Angola.

