China alerta contra tentativa de mudança de governo no Irão e pede cessar-fogo imediato
A China alertou contra qualquer tentativa externa de provocar uma mudança de governo no Irão em meio à ofensiva militar conjunta dos Estados Unidos e de Israel, afirmando que tal movimento não conta com apoio popular.
“Planejar uma revolução colorida ou buscar uma mudança de governo não encontrará apoio popular”, declarou o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, durante uma conferência de imprensa realizada em Pequim à margem de um importante encontro anual do governo chinês.
Segundo Wang Yi, a soberania do Irã e de todos os países deve ser respeitada, defendendo uma paralisação imediata das operações militares no Oriente Médio para evitar uma escalada do conflito e o seu possível alastramento.
“Esta é uma guerra que nunca deveria ter acontecido e que não beneficia ninguém”, afirmou o chefe da diplomacia chinesa. “A força não oferece soluções e os conflitos armados apenas aumentam o ódio e criam novas crises.”
O ministro acrescentou que os assuntos do Oriente Médio devem ser resolvidos pelos próprios países da região, sem interferência externa.
“O povo do Oriente Médio é o verdadeiro senhor desta região. Um punho forte não significa uma razão forte. O mundo não pode voltar à lei da selva”, afirmou Wang Yi aos jornalistas.
Pequim também apelou para que todas as partes regressem o mais rapidamente possível à mesa das negociações, procurando resolver as divergências através do diálogo e da cooperação diplomática.
Segundo o chefe da diplomacia chinesa, a China está pronta para trabalhar com os países da região para restaurar a estabilidade no Oriente Médio e contribuir para a paz internacional.
Entretanto, um relatório confidencial do Conselho Nacional de Inteligência dos Estados Unidos, citado pelo jornal The Washington Post, indica que mesmo uma ofensiva militar em larga escala dificilmente conseguiria derrubar a estrutura política, militar e religiosa que sustenta o regime iraniano.
O documento contradiz declarações do presidente norte-americano Donald Trump, que afirmou recentemente que poderia remover a liderança iraniana e instalar um novo governo aliado.
Pequim também condenou o assassinato do Líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, alertando que a escalada militar pode desencadear consequências imprevisíveis para a segurança global.
Wang Yi acrescentou ainda que as relações estratégicas entre a China e a Rússia permanecem “firmes e inabaláveis”, apesar das críticas de países ocidentais à posição de Moscovo na guerra da Ucrânia.
