LUANDA, Angola – A controvérsia em torno do jogo amigável entre Angola e a seleção argentina, liderada por Lionel Messi, atingiu um novo patamar de tensão. Enquanto a sociedade civil se mobiliza com protestos e apelos diretos a jogadores e federações, o governo angolano opta pelo silêncio, agravando a crise e reforçando a percepção de uma desconexão com as preocupações da população.
Apesar da carta aberta enviada a Lionel Messi e à Federação Argentina de Futebol por quatro organizações da sociedade civil — a Comissão Episcopal de Justiça, Paz e Integridade da Criação da CEAST, a Pro Bono Angola, a Associação Justiça, Paz e Democracia (AJPD) e a Friends of Angola — e da ampla cobertura do caso pela imprensa internacional, as autoridades angolanas não emitiram qualquer comunicado oficial.
A ausência de uma resposta pública, seja para justificar o gasto de 6 milhões de dólares ou para dialogar com os ativistas, tem sido interpretada por muitos como uma negação da grave crise social e alimentar que assola o país. Para o Padre Celestino Epalanga, uma das vozes do movimento, a prioridade do governo em gastar milhões com um evento desportivo, em vez de investir em saúde e educação, é “escandalosa”.
O silêncio do Estado diante da pressão interna e externa solidifica a tese de que o jogo é, para o governo, um instrumento de propaganda para as celebrações dos 50 anos de independência, e não uma iniciativa de inclusão social. Ao não se pronunciar, o governo envia uma mensagem clara: a decisão sobre o jogo é inegociável, e o clamor popular será ignorado em prol da agenda oficial.
Enquanto isso, a pressão aumenta nas redes sociais e na imprensa global, colocando os jogadores argentinos em uma posição delicada. A história, como o Padre Epalanga sugere, já está a ser escrita, e o silêncio do governo de Angola será um de seus capítulos mais marcantes.
