VÍRUS DO MEDO NOS QUARTÉIS ANGOLANOS: FAA SOB ATAQUE CIVIL

VÍRUS DO MEDO NOS QUARTÉIS ANGOLANOS: FAA SOB ATAQUE CIVIL
Vírus do medo nos quartéis angolanos
VÍRUS DO MEDO NOS QUARTÉIS ANGOLANOS: FAA SOB ATAQUE CIVIL
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“VÍRUS DO MEDO” NOS QUARTÉIS ANGOLANOS • SILÊNCIO ENTRE GENERAIS • LEIS EM DEBATE GERAM TENSÃO NAS FORÇAS ARMADAS •

Vírus do medo nos quartéis angolanos

Por: Horácio dos Reis | Jornalista

Há vírus que não dão febre nem tosse. Dão silêncio. O que tomou conta dos quartéis não veio de laboratório algum. Nasceu do Palácio Presidencial. Entrou pela porta da hierarquia, sentou-se na sala do comando e expulsou a coragem pela janela. Quando o medo ocupa o lugar da honra, o quartel vira corredor estreito e o general, que deveria rugir, mia baixo.

O mais curioso é a metamorfose. De destemidos para medrosos. De estrategas para contabilistas. Veda-se o cérebro, sela-se a boca. Pensamento crítico vira insubordinação. Palavra vira risco. E o silêncio passa a ser promovido a virtude militar.

Enquanto isso, alguns generais trocaram o mapa de campanha pelo mapa do negócio. Do “biolo” ao business da draga, da logística da guerra à logística do esquema. Provaram o mel do roubo e decidiram que tudo vale para manter privilégios. A honra ficou arquivada no tempo da guerra.

As propostas de lei em debate na Assembleia Nacional não são detalhe técnico. A alteração da Lei das Carreiras dos Militares e o novo Código de Disciplina Militar redesenham o campo de batalha. Aos reformados, surge a ameaça de restrições à liberdade de expressão e pensamento, estendendo o alcance do quartel à vida civil.

No centro das tensões está o exemplo de figuras militares que ousaram discordar do poder político, transformando-se em símbolos de advertência para outros oficiais.

O método também preocupa. Pouco debate, quase nenhuma auscultação. O Ministério da Defesa produz, o Executivo encaminha, a Assembleia discute, e os directamente visados assistem em silêncio.

A história militar é clara: exércitos sem moral e sem voz ficam derrotados antes da batalha. Impérios ruíram quando confundiram disciplina com mordaça. Generais sábios sempre souberam que obediência cega produz soldados previsíveis, mas exércitos fracos.

Hoje, as Forças Armadas Angolanas parecem convocadas não apenas para defender a soberania, mas também para proteger interesses políticos. O medo, segundo analistas, tornou-se a pior arma contra as próprias tropas.

Especialistas alertam que punir a honra, criminalizar a palavra e domesticar a farda pode comprometer a estabilidade nacional. Um país não entra em guerra apenas quando há tiros, mas quando destrói os seus próprios pilares.

O futuro permanece incerto. A história, contudo, ensina que quando a coragem volta a falar, até o medo aprende a recuar.