Luanda – Um estudo recente do Centro de Investigação Económica da Universidade Lusíada Angola (Cinvestec) expôs a “enorme dispersão salarial” existente no mercado de trabalho angolano, onde o salário mais elevado registado atinge os 17 milhões de kwanzas, enquanto o mais baixo é de apenas 50 mil kwanzas.
A investigação, cujos dados foram recolhidos do Portal de Emprego Jobartis entre 2020 e 30 de junho de 2024, revela que o salário médio em Angola é de 935 mil kwanzas. No entanto, o valor mediano (o salário central, que melhor representa a realidade da maioria) é de apenas 350 mil kwanzas.
A dimensão da empresa é um fator determinante para a disparidade. O estudo detalha os salários máximos e mínimos por tipo de empresa, mostrando um fosso profundo entre as grandes e as microempresas:
- Salário Máximo por Tamanho de Empresa:
- Grandes empresas: 17 milhões Kz
- Médias empresas: 10 milhões Kz
- Pequenas empresas: 8 milhões Kz
- Microempresas: 800 mil Kz
- Salário Mínimo por Tamanho de Empresa:
- Grandes empresas: 135 mil Kz
- Médias empresas: 60 mil Kz
- Pequenas e Microempresas: 50 mil Kz
O relatório sublinha que, enquanto as grandes empresas pagam salários mínimos bem acima do Salário Mínimo Nacional (SMN), as pequenas e microempresas frequentemente recorrem a “cláusulas de excepção” que lhes permitem pagar provisoriamente abaixo do SMN.
A análise do salário mediano reforça a desigualdade: um trabalhador numa microempresa tem um rendimento central de 150 mil kwanzas, enquanto nas grandes empresas esse valor sobe para 550 mil kwanzas. Mesmo assim, a média salarial mais alta foi encontrada nas médias empresas, com 1.467 mil kwanzas, seguidas pelas grandes, com 1.180 mil kwanzas.
Estes dados confirmam que a estrutura salarial em Angola beneficia desproporcionalmente os trabalhadores de grandes companhias, deixando os empregados de micro e pequenas empresas com rendimentos significativamente mais baixos e, por vezes, abaixo do mínimo legalmente estabelecido.
