AO EXCELENTÍSSIMO ADMINISTRADOR MUNICIPAL DO BEMBE: CARTA DE INSATISFAÇÃO

AO EXCELENTÍSSIMO ADMINISTRADOR MUNICIPAL DO BEMBE: CARTA DE INSATISFAÇÃO

AO
EXMO. Sº ADMINISTRADOR MUNICIPAL DO BEMBE
Gildo Laurindo Unigénito

Assunto: Carta de Descontentamento Relativa à Obra de Terraplanagem da Estrada Makoko – Rio Nzadi

Senhor Administrador,

Na qualidade de cidadão do município do Bembe, venho, por meio desta, expressar o meu profundo descontentamento e indignação com a recente cerimônia de consignação da empreitada para a Terraplanagem de apenas 14 km de estrada entre Makoko e o rio Nzadi.

Passados quase 50 anos desde a nossa independência, é escandaloso que ainda se trate como conquista a terraplanagem de uma estrada terciária. Isso não é progresso é um retrato claro do abandono, da má gestão e da inversão completa das prioridades.

Enquanto isso, a estrada principal que liga o município do Bembe ao Songo continua sem asfalto, cheio de buracos, isolando comunidades, dificultando o transporte de mercadorias, travando qualquer possibilidade de desenvolvimento económico sério.

Para agravar ainda mais o cenário, o Bembe não tem água canalizada e energia elétrica, não possui sequer uma agência bancária, e os funcionários públicos são obrigados, todos os meses, a deslocar-se até à cidade do Uíge para levantar o salário, enfrentando estradas em condições miseráveis, arriscando as suas vidas por um direito básico. Como é possível falar em dignidade humana nestas condições?

Estes factos não podem continuar a ser ignorados. A população do Bembe merece mais do que obras simbólicas, contratos duvidosos e anúncios vazios.

Diante desta realidade, exijo:

  1. A publicação imediata do contrato da obra Makoko–Nzadi, incluindo valores, e cláusulas de fiscalização;
  2. Uma explicação pública sobre os critérios usados para priorizar essa obra, deixando de lado necessidades estruturais muito mais urgentes;
  3. A inclusão imediata da estrada Bembe–Songo no plano de asfaltamento da administração municipal e da província, com um cronograma transparente;
  4. Um plano de emergência para resolver o problema da água e energia e da presença de serviços bancários no município;
  5. A criação de um espaço de escuta e consulta popular permanente, para que os investimentos públicos reflitam as verdadeiras necessidades do povo.

Esta carta é um apelo, mas também um aviso: a paciência está a esgotar-se. O povo do Bembe está cansado de viver como se fosse invisível.

Atentamente,

Pedro Paka
Defensor dos direitos humanos

Luanda, aos 23 de Junho de 2025

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