Auzílio Jacob engoliu as casas das populações na Quissama e agora está a inventar desculpas de mal pagador
QUISSAMA, MUXIMA – É um grito de revolta que se ouve na histórica Vila da Muxima. A população da Quissama acusa, sem rodeios, o governador de Icolo e Bengo, Auzílio Jacob, de ter “engolido” centenas de casas que eram para as famílias desalojadas. Confrontado pelos populares, o governador é agora visto como estando a dar ‘desculpas de mal pagador’ para justificar uma promessa que não foi cumprida.
A denúncia, apresentada pela comissão de moradores, aponta para uma diferença que não bate certo: de 1.400 casas prometidas por causa da construção da basílica, só apareceram cerca de 600 para o povo. A pergunta que fica no ar, e que o governo não conseguiu responder bem, é: onde foram parar as outras 800 casas?
Apertado pelas acusações durante a reunião, Auzílio Jacob defendeu-se com o argumento de que muitos dos presentes são ‘invasores’ que ocuparam os terrenos depois do cadastro oficial de 2015. Esta justificação, porém, não convenceu a população, que vê nela uma manobra para criar confusão e fugir às suas responsabilidades como governante.
A proposta de entregar lotes de terreno em vez das casas prontas deixou o povo ainda mais indignado. “Nós queremos as casas, não queremos lote”, desabafou uma das moradoras, explicando o sentimento geral de quem não tem dinheiro para começar uma construção. A população sente que o governo quer simplesmente livrar-se do problema, em vez de o resolver de forma justa.
No fim das contas, o que fica é o sentimento de uma comunidade traída, que vê o seu direito a uma casa ser negado. As explicações do governador, baseadas na lei e na burocracia, não estão a acalmar um povo que só quer uma coisa: as casas que lhes foram prometidas
Assista ao vídeo do encontro:
