Denúncia: Silvestre Tulumba, o Empresário Privilegiado pelo Presidente João Lourenço

Denúncia: Silvestre Tulumba, o Empresário Privilegiado pelo Presidente João Lourenço

Luanda – No centro das mais recentes críticas à governação do Presidente João Lourenço está um nome que ascendeu de forma meteórica nos círculos empresariais de Angola: Silvestre Tulumba. Outrora uma figura desconhecida, Tulumba é hoje apontado por vozes críticas, como a economista Maria Luísa Abrantes, como o principal exemplo de um empresário que beneficia de um sistema de privilégios e favoritismo sob a atual administração.

A denúncia que ecoa nos círculos políticos de Luanda alega que Silvestre Tulumba, através da sua empresa Mercons e outros veículos, tem sido um dos principais beneficiários de avultados contratos públicos por adjudicação direta (“ajuste direto”), um mecanismo que a lei reserva para situações excecionais, mas que se terá tornado a regra para um grupo restrito de empresários.

O caso mais emblemático, noticiado em setembro de 2025, foi a adjudicação direta de um contrato de 340 milhões de euros à Mercons para a construção de complexos universitários em Cabinda e Malanje. Críticos questionam a capacidade técnica da empresa para uma empreitada desta dimensão e apontam o contrato como uma prova da proteção de que Tulumba goza ao mais alto nível do poder.

A trajetória de Silvestre Tulumba é descrita como controversa. Fontes ligadas a círculos de poder mais antigos recordam-no como um “ex-candongueiro” (motorista de táxi) do falecido General Kundi Paihama, que o terá apadrinhado no mundo dos negócios. A sua ascensão, no entanto, parece ter acelerado exponencialmente sob o mandato de João Lourenço. A sua capacidade para se tornar acionista maioritário de um banco, apesar de um historial de alegadas dívidas ao Banco de Poupança e Crédito (BPC), levanta sérias questões sobre a supervisão e a diligência das instituições financeiras do Estado.

A proximidade entre o empresário e o Chefe de Estado é um ponto central da denúncia. O episódio em que o Presidente João Lourenço utilizou o avião privado de Tulumba na sua primeira deslocação oficial à província do Huambo, no início do seu primeiro mandato, é constantemente relembrado pelos críticos como o símbolo de uma relação que transcende o institucional.

Para os denunciantes, o “caso Tulumba” mina a credibilidade da bandeira da luta contra a corrupção, um dos pilares do discurso de João Lourenço. Em vez de uma rutura com as práticas do passado, a ascensão de novas figuras como Silvestre Tulumba, agraciadas com contratos multimilionários sem concurso público, é vista como a continuação do mesmo sistema de favoritismo, apenas com novos beneficiários.

Enquanto a Presidência da República se mantém em silêncio sobre estas alegações, a percepção pública de que existe um círculo de empresários leais e privilegiados continua a crescer, colocando em xeque a promessa de uma governação mais transparente e equitativa em Angola.

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