LUANDA – A situação em torno da liderança do Conselho Nacional da Juventude (CNJ) tornou-se uma disputa de narrativas. Enquanto um grupo de líderes de organizações juvenis recomenda a candidatura de Isaías Kalunga para um segundo mandato em notícia veiculada pela agência noticiosa estatal ANGOP, vozes críticas acusam a reportagem de ser uma manobra de manipulação para contrariar os recentes escândalos de corrupção.
Segundo a notícia divulgada pela ANGOP, líderes de juventude de partidos como o PRS e a FNLA, juntamente com o presidente da UNE-Angola e a coordenadora da Pastoral Juvenil da Igreja Católica, exortaram Kalunga a concorrer para o mandato 2026-2031.
No entanto, essa narrativa contrasta com informações obtidas por Makamavulo News.
Fontes internas do CNJ afirmam que o mandato de Isaías Kalunga já terminou em meio a acusações de má gestão e que não houve uma assembleia geral para eleger uma nova comissão, como os membros exigem. As mesmas fontes consideram a reportagem da ANGOP uma “manipulação” orquestrada por Isaías Kalunga e os seus aliados para tentar restaurar a sua imagem após ter sido publicamente afastado do evento do MOVANGOLA.
O líder juvenil Mauro Mendes, que acusa Kalunga de perseguição e crimes, e outros membros do CNJ têm pressionado pela realização de eleições urgentes, reforçando o clima de tensão e desconfiança que paira sobre a liderança do conselho.
O público angolano fica, assim, diante de duas versões completamente diferentes sobre o futuro do Conselho Nacional da Juventude e a legitimidade de sua atual liderança.
18 de Agosto de 2025
