Governo perdeu controlo da Biocom?
A paralisação das actividades laborais na Biocom, no município de Cacuso, província de Malanje, mantém-se, segundo informação de fonte ligada à empresa, que afirma que a entidade patronal ainda não cumpriu as promessas feitas aos trabalhadores na semana passada.
Os trabalhadores reivindicam aumento salarial e melhores condições de trabalho, que dizem aguardar há vários anos. De acordo com a fonte, a maioria aufere cerca de 100 mil kwanzas mensais, valor considerado insuficiente face ao custo de vida e ao nível de risco de algumas funções.
Entre as queixas constam ainda alegações de tratamento desigual entre trabalhadores nacionais e expatriados, incluindo diferenças salariais e de benefícios, situação que, segundo relatos, tem gerado um ambiente de tensão no interior da unidade fabril.
Os trabalhadores afirmam igualmente que muitos nacionais são colocados em tarefas de elevado risco sem meios adequados de protecção, ao passo que expatriados beneficiariam de melhores condições contratuais.
Na semana passada, um acidente rodoviário envolvendo um autocarro que transportava funcionários da Biocom resultou numa vítima mortal e três feridos, um dos quais em estado considerado grave.
Há também registo de trabalhadores com mais de duas décadas de serviço que afirmam nunca ter sido promovidos, situação que, segundo a fonte, contrasta com o que prevê a Lei Geral do Trabalho quanto à progressão na carreira.
Outro ponto de descontentamento refere-se à alegada discrepância salarial entre técnicos nacionais e supervisores expatriados, considerada “significativa” por trabalhadores ouvidos.
A fonte aponta ainda preocupações com a qualidade de alguns insumos agrícolas e equipamentos, que poderão estar a influenciar negativamente os níveis de produção nas últimas safras.
Contactada por este jornal, a direcção da Biocom não se pronunciou até ao momento. O caso continua a evoluir e deverá conhecer novos desenvolvimentos.
