Dados do INE reacendem debate sobre retrato real do emprego em Angola
Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), referentes ao quarto trimestre de 2025, indicam que Angola conta com mais de oito milhões de pessoas empregadas.
Segundo a instituição, os números resultam do Inquérito ao Emprego em Angola. No entanto, o relatório não incluiu cidadãos que exercem actividades por conta própria, especialmente no sector informal.
O peso do sector informal
Grande parte da população activa angolana depende de actividades informais, como comércio ambulante, agricultura de subsistência, transporte informal e pequenos serviços. Muitos destes trabalhadores não contribuem directamente para o IRT ou outros impostos formais.
Especialistas alertam que a não inclusão plena deste universo pode transmitir uma imagem incompleta da realidade socioeconómica.
Emprego versus qualidade do emprego
Analistas sublinham que estar empregado não significa necessariamente ter um trabalho digno ou estável. Entre os principais desafios identificados estão:
- Informalidade laboral;
- Ausência de protecção social;
- Baixos rendimentos;
- Subemprego e precariedade.
Necessidade de maior transparência
Especialistas defendem que a metodologia estatística deve ser clara e abrangente, permitindo uma leitura realista da situação do emprego, sobretudo num contexto de elevado desemprego juvenil e dificuldades económicas.
Mais do que o número absoluto de pessoas empregadas, o debate centra-se na qualidade, estabilidade e impacto real desses empregos na vida dos cidadãos angolanos.
