Viviam no corredor d’água, defronte a fazenda Mato Grosso, propriedade do Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço. Em Junho/25, foram retirados e encaminhados para o município do Sequele, bairro Maye-Maye, deixando de fora, mais de 200 famílias que, residem na mesma linha d’água, isto, defronte a fazenda Pérolas do Kikuxi de Fernando da Piedade Dias dos Santos (Nandó), ex-presidente da Assembleia Nacional.
Segundo fontes fidignias, na sua maioria ex-reclusos que ainda residem na passagem d’água, defronte a fazenda Perolas do Kikuxi, propriedade de Fernando da Piedade Dias dos Santos (Nandó), clamam por assistência com habitações.
Estes cidadãos pedem a empresária Elisabeth Dias dos Santos Burity, gestora da fazenda Pérolas do Kikuxi, com uma área de 323,54 hectares, que se encontra num processo de requalificação e revitalização, que cria condições no sentido dos mesmos serem realojados numa zona com alguma dignidade. Clamam por ajuda e levam como exemplo o realojamento feito pelo Presidente da República, João Loureço, proprietário da fazenda Mato Grosso, que se encontra no mesmo corredor da fazenda Pérolas.
Transferidos para o Maye-Maye
O que asociedade quer saber, é se as residências onde foram transferidos estas famílias são propriedade do Presidente da República ou do Estado Angolano?
A não ser verdade, estaremos perante dois pesos e duas medidas. Segundo a frase de Salvador Allende, “não basta que todos sejam iguais perante a Lei.
É preciso que a Lei seja igual perante todos”.
A transferência das mais de 108 famílias deixou uma pulga atrás da orelha as outras 200 famílias, largadas a sua sorte e que viram-se confrontados com a decisão da senhora Elizabeth, quando os convidou a abandonar o espaço para o seu projecto de requalificação.
As duzentas famílias apesar de reconhecerem o gesto do chefe “Nandó” ao lhes permitir construir casebres, prometem não arredar o pé deste espaço, tudo porque não têm por onde ir.
“Se o Presidente da República desalojou e deu casas aos ocupantes dos casebres que estão na mesma linha d’água, porquê que a senhora Elizabeth também não faz o mesmo, interrogam-se”.
O processo na fazenda Mato Grosso foi simples e célere.
Não foi necessário a presença da polícia, os homens vieram, fizeram o cadastramento e no dia H às 108 famílias foram transferidas para o Maye-Maye, reiterou.
Continuou: “Nós reconhecemos que o espaço é do chefe “Nandó”, mas vivemos aqui há mais de 14 anos, às famílias cresceram e hoje os filhos também já constituíram família”, desabafou um inquilino dos casebres..
“Algumas pessoas de má fé, venderam os espaços a terceiros”. Desde que o Presidente da República mandou retirar estas famílias, muitos “ambiciosos” que já receberam casas no Maye-Maye, regressaram e estão a erguer outros casebres, acredito que já estamos na ordem das 400 famílias, disse um dos moradores identificado por Pezado.
Quem realoja as famílias é o Estado
A mesma fonte continuando disse-nos, a gestora da fazenda Pérolas do Kikuxi, Elizabeth Burity, “quem atribui casas em qualquer processo de realojamento é o estado.
Eu sou empresária, me pauto por gerar emprego.
A requalificação visa dar maior dignidade a está zona.
Engloba restaurante, praça do Nandó, escolas de arte e ofícios, projectos agro-pecuários entre outros. “
Estamos a trabalhar com um pensamento virado na melhoria, para que está comunidade tenha alguma qualidade de vida, assegurou a empresária.
Por:Pedro Miguel
