Nova Iorque – Numa intervenção na Conferência Internacional de Alto Nível para a Solução Pacífica da Questão da Palestina, o Presidente de Angola e atual Presidente da União Africana, João Lourenço, apelou à comunidade internacional para que use todos os meios disponíveis para alcançar uma paz definitiva no Médio Oriente através da implementação da solução de dois Estados. O discurso, proferido a 22 de setembro de 2025, sublinhou um crescente consenso internacional sobre a necessidade de terminar a guerra em Gaza.
O Presidente Lourenço, falando em nome da União Africana, reiterou a posição do bloco de que a paz só será alcançada com a criação de um Estado da Palestina, com Jerusalém Oriental como sua capital, coexistindo pacificamente com Israel. Ele lembrou que Angola reconheceu formalmente o Estado da Palestina em dezembro de 1988, num ato que descreveu como de “coerência e de antecipação histórica”.
Durante o seu discurso, o líder angolano condenou o terrorismo em todas as suas formas e, especificamente, as ações do Hamas que resultaram na morte e sequestro de civis em Israel, exigindo a “libertação urgente e incondicional” dos reféns. No entanto, Lourenço também repudiou o que chamou de “reação desproporcional do Estado de Israel”, criticando o uso de armamento pesado contra a população civil e indefesa da Palestina sob o pretexto de perseguir o Hamas.
A situação humanitária catastrófica na Faixa de Gaza foi um ponto central da sua intervenção. O Presidente condenou a “instrumentalização da assistência humanitária como arma de guerra”, descrevendo-a como um ato desumano, e apelou à suspensão imediata de todas as medidas que obstruem a chegada de ajuda e o acesso a direitos fundamentais como a vida e a alimentação para milhões de palestinianos.
Ao concluir, Lourenço afirmou que a mesma comunidade internacional que decidiu criar o Estado de Israel em 1948, está agora a dar um “passo gigantesco” e decisivo para a criação do Estado da Palestina, reconhecendo o direito igual do povo palestiniano a um Estado soberano e membro de pleno direito das Nações Unidas.
