Num país como o nosso, ser político não é fácil.
Melhor dizendo,ser político é a coisa mais fácil, tal como ser activista. Toda gente sabe de estratégias, para fazer o país crescer, dar água para todos, construir estradas e até dar casa para todos.
Ninguém precisa fazer nada é só acordar ficar a teclar no facebook, que o resto o Estado resolve.
Para os nossos políticos, o Estado tem muito dinheiro, os diamantes estão aí, é só cavar, o petroleio está no mar, de Cabinda ao Cunene, é só furar. Ninguém precisa trabalhar, tudo o Estado vai dar porque Angola é rica.
A retórica dos políticos medíocres que lamentavelmente comove muito boa gente e encontra seguidores que não pensam em nada mais do que serem beneficiários do que pensam, ser as riquezas de Angola.
Os nossos políticos populistas não são capazes de dizer que os recursos que estão no subsolo exigem tecnologia para os transformar em riqueza.
Não são capazes de dizer que os recursos que temos em abundâncias são as terras férteis e rios que com o esforço de todos, teremos a autossuficiência alimentar e, como é óbvio,teremos muita mão-de-obra ocupada na agricultura, na indústria transformadora e,como não poderia deixar de ser, com uma grande circulação mercantil.
Dos nossos políticos, muitas coisas já ouvi. Mas, esta de serem os mediadores da FLEC-FAC, eu não esperava.
Assinarem um acordo para o cessar-fogo em Cabinda entre as forças do governo e da FLEC-FAC, foram longe de mais. Eu podia esperar de tudo um pouco da UNITA, mas desta vez exageraram.
Afinal o líder dos “terroristas” João Gabriel tinha razão quando disse que os timoneiros o haviam posto em contacto com a FLEC de Nzita Tiago Filho, num encontro que teve em Cabinda com um grupo de
elementos daquela organização, sob coordenação do secretário provincial da UNITA em Cabinda.
Durante vários dias, a UNITA tratou de desmentir que teriam auxiliado tal encontro, juraram de pés juntos que tudo não passa va de “uma palhaçada” com vista a incriminar o partido dos maninhos.
Não é que a mentira tem pernas curtas.
A FLEC-FAC veio confirmar que havia sim encontros e com a UNITA que veio a se concretizar num acordo em que a FLEC-FAC suspenderia a guerra por um tempo e a UNITA faria aprovar, no parlamento, uma
lei que haveria de reconhecer a autodeterminação do povo de Cabinda.
Não sei como é que foi possível a FLEC-FAC acreditar na UNITA que seria capaz de fazer aprovar no parlamento uma lei que levaria a autodeterminação do povo de Cabinda, se ela não tem maioria parlamentar e nem é governo? São destas coisas e outras que me levam a não acreditar nos políticos.
Não nos vai surpreender que, nos próximos dias, a UNITA venha em conferência
de imprensa dizer que ela fez tudo para levar a paz em Cabinda e garantir a autodeterminação do seu povo e que o regime recusou-se. Assim, não existe outro caminho para o povo de Cabinda que não seja votar na UNITA para que ela seja governo e tenha maioria no parlamento e desta forma declarar perante a África e o Mundo a independência de Cabinda, que deixará de ser parte do território de Angola e se
transformará na mais jovem nação independente de mundo.
O relógio já começou a contar o tempo, vamos esperar que a UNITA consiga materializar o acordo firmado com a FLEC-FAC e nos próximos dias se assista no parlamento o debate e a aprovação de um acordo para a autodeterminação do povo de Cabinda conforme o sonho irrealizável dos
maninhos

Fonte : Pungo a Ndongo
