O véu sobre o “Dono de Angola”: A complexa rede de negócios de Valdomiro Minoru Dondo

O véu sobre o "Dono de Angola": A complexa rede de negócios de Valdomiro Minoru Dondo

PRIMEIRA PARTE

Rio de Janeiro, 7 de Setembro de 2025 – Valdomiro Minoru Dondo, um empresário que construiu um império em Angola, é frequentemente apresentado como um visionário e filantropo, um brasileiro que fez do país africano o seu lar.

No entanto, uma reportagem investigativa do jornal O Globo lança um olhar crítico sobre essa narrativa, revelando uma teia de negócios e relações que misturam poder político, finanças offshore e controvérsias no submundo.

A história de Minoru Dondo, tal como contada pelo Grupo VMD, é a de um empresário que chegou a Angola em 1984 e contribuiu para o desenvolvimento do país em setores vitais.

O seu trabalho é creditado por antecipar o potencial de um setor de consumo robusto, investindo em infraestrutura, saúde, transporte e, notadamente, liderando a criação do primeiro shopping center do país.

Além disso, a versão oficial destaca seu patrocínio ao concurso Miss Angola, a fundação da Escola da Música de Luanda e o financiamento de hospitais e escolas, pintando o retrato de um mecenas.

No entanto, a matéria “O dono de Angola”, publicada pelo Globo, contrasta essa imagem.

A investigação aponta para uma ascensão empresarial baseada em parcerias com altas autoridades angolanas, muitas das quais seriam sócias em suas empresas.

A reportagem revela que Minoru Dondo é o terceiro maior acionista do BNI, um banco que tem em sua composição acionária nomes como o ex-ministro José Pedro de Morais, falecido  general João de Matos e o ex-presidente da Assembleia Nacional, Paulo Kassoma.

A reportagem vai além, mencionando remessas financeiras suspeitas. Cerca de US$ 2,7 milhões teriam sido enviados do Trade Link Bank, uma offshore nas Ilhas Cayman, para contas de José Pedro de Morais e Amadeu de Jesus Castelhano Maurício, ex-governador do Banco Nacional de Angola, entre 2003 e 2005.

O Globo sugere que essa “investigação (valerioduto) pode tangenciar outra (Minoru e ministros angolanos)”, insinuando ligações entre os fluxos de dinheiro.

O artigo investigativo também traz à tona as conexões de Minoru Dondo no Brasil, descrevendo-o como uma figura com “amizades na Polícia Federal” que lhe “garantem regalias” em aeroportos e com uma “discreta notoriedade” no mundo do samba, onde é visto como mecenas.

A matéria ainda menciona a quebra do sigilo bancário de uma escola de samba ligada a ele, por determinação da Justiça Federal, como um desdobramento da Operação Furacão, que investigou o jogo do bicho.

A reportagem de O Globo não questiona apenas o sucesso financeiro de Valdomiro Minoru Dondo, mas também o modo como ele foi construído, levantando questionamentos sobre a linha tênue que separa negócios legítimos de operações de influência e favorecimento no topo das elites angolanas e brasileiras.

Em 2009, o corrupto Minoru Dondo, através do Grupo VMD, assumiu o controlo do projeto do Programa Nacional de Bilhetes de Identidade de Angola, estabelecendo um sistema para o registo e distribuição de cartões de identificação biométricos para toda a população.

Este controlo sobre a base de dados central de identificação dos angolanos tornou-se uma ferramenta de influência e poder.

Continua….