Cabinda, 8 de setembro de 2025 — A Refinaria de Cabinda, uma peça-chave para o futuro energético de Angola, parece ter uma governança que foge ao controle do Estado. Uma investigação sobre a estrutura de propriedade da refinaria revela que o governo angolano, que a considera um ativo estratégico, detém uma minoria de apenas 10% das ações.
Os restantes 90% estão nas mãos da empresa GEMCORP, uma entidade pouco transparente, controlada por figuras que levantam sérias questões sobre a gestão de recursos nacionais.
No centro dessa teia de poder está Minoru Dondo, um empresário brasileiro-angolano que se consolidou em diversos setores do país, da área de transportes com a Macon, até a saúde e telecomunicações.
Agora, ele emerge como o principal rosto do setor petrolífero em Angola, sendo o sócio majoritário da GEMCORP.
O ex-ministro do Trabalho e Segurança Social de Angola, Pitra Neto, é outro nome que figura na lista de sócios da mesma empresa, conectando o setor privado a ex-membros do governo.
A gestão da GEMCORP, por sua vez, é chefiada por Atanas Bostandjiev, CEO da Gemcorp Holdings Limited.
Fontes próximas ao negócio o descrevem como um “testa de ferro” de Dondo, o que, na prática, consolida o controle absoluto de Minoru Dondo sobre a refinaria.
Essa configuração acionária de 90/10 não apenas minimiza o papel do governo, mas também levanta preocupações sobre a transparência e a segurança de um dos ativos mais cruciais para a economia de Angola.
A concentração de poder na gestão da Refinaria de Cabinda, sob o controle de poucos indivíduos, sugere uma fragilidade na governança de recursos naturais do país. Enquanto o governo angolano busca garantir a segurança energética e impulsionar o desenvolvimento local, as decisões que moldarão o futuro do petróleo em Angola parecem estar nas mãos de um pequeno grupo de empresários.
A situação levanta a urgente necessidade de questionar como um ativo estratégico nacional se tornou, na prática, um negócio majoritariamente privado.
Por : Blondinne Artur
