O evento em Cacuaco, ocorrido em 21 de setembro de 2025, foi uma tentativa de projetar a imagem de uma multidão vibrante em apoio ao presidente João Lourenço.
No entanto, a análise de Horácio dos Reis sugere que estes números são uma “ilusão”. A principal evidência para este ceticismo remonta a 2022, quando comícios igualmente massivos não impediram que o MPLA sofresse uma derrota histórica em Luanda.
A Mecânica por Trás da Multidão
Segundo a análise, a capacidade do partido no poder de encher praças não é um “milagre”, mas sim uma consequência do seu controlo sobre o aparelho estatal. O jornalista argumenta que quem “controla a torneira do emprego público e a régua dos cargos tem sempre uma isca eficaz”, sugerindo que muitos participantes marcam presença mais por conveniência ou sobrevivência do que por convicção política. Desta forma, uma multidão num evento do MPLA é descrita como “rotina”, e não como uma prova irrefutável de apoio.
Uma “Guerra de Imagens”
O ato político é enquadrado como uma “guerra de imagens”, onde o objetivo principal é construir uma narrativa de força para consumo interno e externo, especialmente num momento em que se avizinha a batalha pela sucessão de João Lourenço. A análise compara o partido a um “velho leão, cansado de tantas batalhas, que decide rugir” apenas para a fotografia.
A conclusão da análise é que a multidão pode não ser uma verdadeira “maré” de apoio, mas sim “apenas um balde de água jogado para a fotografia”, reforçando a ideia de que os números do MPLA em Cacuaco podem ser uma representação ilusória da sua real força política na capital.
Por: Horácio dos Reis in CLUB K
