Marcelo “emocionado” na festa de independência de Moçambique
O Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, mostrou-se esta quarta-feira “emocionado” à chegada ao Estádio da Machava, Maputo, para assistir às comemorações dos 50 anos da independência de Moçambique, apontando à mensagem de “futuro” do país africano.
“É um grande momento para Moçambique e para Portugal. E eu estou muito, muito feliz, porque é uma mensagem de futuro. Cerimónia de homenagem ao passado de manhã e agora é futuro”, acrescentou o chefe de Estado português.
Centenas de pessoas concentram-se desde as primeiras horas na envolvente do Estádio da Machava, local onde há em 1975 foi proclamada a independência de Moçambique e que recebe esta quarta-feira as comemorações dos 50.º aniversário.
No estádio, reabilitado nos últimos meses para receber as cerimónias desta quarta-feira, ultimam-se desde o nascer do dia os últimos preparativos, da limpeza à decoração das estruturas, enquanto a população começou a tomar a mais de três horas do início do programa oficial.
“É o dia da nossa festa”, contam os populares, que começam a tomar lugar num dos topos do estádio, enquanto no exterior dezenas de barracas vendem comida, preparada durante toda a noite, bem como produtos tradicionais.
No local há um reforço de segurança, mas sem registo de agitação ou incidentes.
Moçambique celebrou esta quarta-feira os 50 anos de independência, com a cerimónia principal, em Maputo, dirigida pelo Presidente da República, Daniel Chapo, e com a presença anunciada de 32 chefes de Estado, incluindo o de Portugal e da Guiné-Bissau, Sissoco Embalo.
Participaram na cerimónia igualmente os antigos Presidentes moçambicanos Joaquim Chissano, Armando Guebuza e Filipe Nyusi.
As cerimónias centrais decorram no histórico Estádio da Machava, na capital moçambicana, local onde o primeiro Presidente do país, Samora Machel, proclamou a independência às primeiras horas de 25 de junho de 1975, após uma luta contra o regime colonial português que começou em 25 de setembro de 1964.
Além do discurso oficial do Presidente da República, a cerimónia desfiles militares, momentos culturais, uma mensagem dos representantes dos cidadãos que completam 50 anos de idade (mesmo período da independência) e uma intervenção do líder do Podemos, enquanto maior partido da oposição.
São pelo menos 40.000 pessoas no estádio da Machava, que tem capacidade oficial para 45.000 pessoas, num evento marcado também pela chegada da chama da unidade, depois de percorrer todo o país, desde 7 de abril. A chama será utilizada nesse momento, pelo chefe de Estado, para acender a pira do estádio.
À chegada a Maputo, ao início da noite de terça-feira, o Presidente da República português disse ver Moçambique a “olhar para o futuro”, após a agitação pós-eleitoral, comemorando 50 anos de independência, e anunciou que receberá o homólogo moçambicano em Lisboa em 3 de julho.
“Satisfeito por ver um país que está a olhar para o futuro, que olha para o futuro com um clima que quer que seja de desenvolvimento económico e social, de desenvolvimento financeiro, de progresso, de Justiça e, portanto, naturalmente, também de estabilidade política e institucional”, disse o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa questionado pela Lusa, à chegada a Maputo, sobre a pacificação que se vive em Moçambique, desde março, após cinco meses de agitação pós-eleitoral que provocou cerca de 400 mortos.
Marcelo vê um “futuro de esperança” em Moçambique
Ainda antes destas declarações, Marcelo Rebelo de Sousa disse ver com esperança o futuro de Moçambique, considerando que ambas as nações são irmãs.
“Não apenas os 50 anos já vividos, mas os próximos 50, 100 anos. É um futuro de esperança, olhando para esta juventude e pensando no que ela deseja, sonha, esperança económica, esperança social, esperança educativa, esperança cultural”, disse Marcelo em Maputo, onde assiste às cerimónias de celebração do jubileu da independência.
Interpelado por jornalistas momentos antes da deposição da coroa de flores na Praça dos Heróis, Marcelo mencionou ser “uma grande honra e uma grande alegria” poder estar em Maputo nas cerimónias que contam com 32 chefes de Estado.
“Portugal todo está com Moçambique”, finalizou, enquanto se aguarda pela cerimónia principal, em Maputo, dirigida pelo Presidente moçambicano, Daniel Chapo.
