Irão considera Portugal cúmplice dos Estados Unidos?
O embaixador do Irão em Lisboa lamentou que o Governo português não tenha condenado os ataques lançados pelos Estados Unidos e por Israel contra o território iraniano desde o final de fevereiro.
Em entrevista à televisão SIC, o diplomata iraniano sugeriu que Portugal poderá estar a assumir um papel indireto no conflito ao permitir a utilização da base aérea das Lajes, nos Açores, pela Força Aérea norte-americana.
Segundo o embaixador, se um país participa, mesmo que indiretamente, numa operação militar contra outro Estado, então assume também uma parcela de responsabilidade pela agressão.
A atual crise teve início a 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos, em coordenação com Israel, lançaram grandes operações militares contra o Irão com o objetivo declarado de neutralizar ameaças consideradas iminentes por Washington.
Desde então, o Médio Oriente vive uma escalada de tensão sem precedentes, com ataques e represálias militares a envolver diversos países da região e a levantar preocupações globais sobre a estabilidade internacional e o impacto nos mercados energéticos.
Durante a entrevista, o embaixador Majid Tafreshi defendeu que uma “má paz” é sempre preferível a uma “boa guerra”, sublinhando que todos os povos têm direito à existência, à soberania e à autodeterminação.
Questionado sobre acusações de que o Irão fornece drones e armamento à Rússia para uso na guerra da Ucrânia, o diplomata rejeitou categoricamente essas alegações, afirmando que o seu país pretende contribuir para um mundo mais seguro e que tais questões devem ser resolvidas através do diálogo diplomático.
Relativamente ao apoio iraniano a movimentos como o Hezbollah, o Hamas ou os houthis, Tafreshi afirmou que esses grupos estão apenas a defender-se e que o Irão procura promover um modelo político que descreve como democrático.
O diplomata reiterou ainda que Teerão está disposto a defender os seus valores e a sua soberania perante qualquer ameaça externa.
