ANGOLA : BRANQUEAMENTO DE CAPITAIS IGAE DORME A SOMBRA DA BANANEIRA

ANGOLA : BRANQUEAMENTO DE CAPITAIS IGAE DORME A SOMBRA DA BANANEIRA

A lavagem de dinheiro em Angola tem ligação extrema com o sector imobiliário, através da compra e venda de imóveis, e no meio artístico, afirmam as nossas fontes. Jovens que não trabalham exibem-se nas ruas com carros topo de Gama. Há também músicos cujos rendimentos são questionáveis para tanto luxo. IGAE diz que desconhece o assunto, mas promete uma resposta nos próximos dias.Domingos CazutaDe acordo com o jurista Paulino Cazuza, em Angola, o branqueamento de capitais consiste em encobrir a origem ilegal de bens, ou rendimentos provenientes de actividades criminosas, transformando-os em activos com aparência de legalidade para que possam ser utilizados livremente.”É um crime transnacional que envolve diferentes sectores, e Angola não tem uma legislação específica que prevê punições rigorosas, mas o crime de peculato pode ser aplicado. Não se precisa de denúncias concretas, basta haver provas que demonstrem a existência de fontes duvidosas”, afirmou.Muitos consideram que os músicos mais jovens que não trabalham aparecem com viaturas de luxo, o que gera desconfiança. Um anexo jornal na edição passada referiu-se à festa de aniversário de Gerilson Israel, filho do secretário do MPLA, Hélder Mundjé, onde é que são os dinheiros que tem esbanjado? De certo que os seus “shows” não lhe dão esse “cabedal” num país parado em que temos ricos sem empresas.”Onde é que já se viu isso?”, volta a questionar, acrescentando que o sistema que temos desses senhores esbanjam só pode resultar de fundos públicos”, aliás, prosseguiu, “não temos um sistema económico muito activo para o entretenimento de músicos. É necessário que se crie uma Lei de fiscalização para que eles não fiquem de braços cruzados diante de tantas evidências”.Entretanto, o jurista amargurado que assim o clama numa altura em que muitos empresários estão falidos e os seus funcionários não pagam aqueles que o Estado deve, mas o dinheiro está a circular nas mãos de jovens sem noção em exibições que fazem invejar aos céus.De acordo com o jurista, existem organizações internacionais na especialidade de posse de dinheiros ilegais resultantes do tráfico de drogas, por exemplo, compra uma casa a 10 milhões de dólares, posteriormente declara ter vendido esta moradia por 300 milhões. “Na verdade, este dinheiro pode entrar como se viesse de um negócio lícito de capitais. Para a lavagem de capitais. Portanto, é muito fácil lavar dinheiro em Angola no sector imobiliário, no até em Portugal, onde muitos músicos têm comprado bens de luxo como viaturas e residências num procedimento sem transparência”.Acrescentou que a única maneira de se acabar com a confusão no imobiliário é dotá-lo de mecanismos de fiscalização. “A pessoa que adquiriu dinheiro de forma ilícita vai de um testa-de-ferro para a sua proveniência, burlando o fisco. Portanto, o sector que esta pessoa pode e fazer com alguma facilidade é o imobiliário. Compra muitas casas e lojas, custam muito caro e nunca são assentadas, o dinheiro lícito pode entrar para o circuito formal”, explicou.O promotor de eventos John Wilson esclarece que o seu trabalho ocupa-se no desenvolvimento da carreira dos agentes artísticos, promoção, produção e realização, mas não se responsabiliza pela sua situação financeira. “Em média um show custa entre 183 mil a 600 mil kwanzas por mês para os iniciantes e podendo duplicar para 1 milhão a 1.2 milhões, mas o valor varia, ou seja, dependendo da experiência, da audiência, etc. Em grandes eventos, pode ter um salário fixado a rondar os 3.1 milhões de kwanzas por mês”.Em função desse rendimento, prosseguiu, “há um desconto obrigatório de 6,5 por cento de aluguer, imposto. “Agora não se consegue justificar porquê o artista tem casa em Portugal e mesmo em Angola. A vida luxuosa dos artistas não se justifica com o custo da vida artística. Quem é que vai querer dar lá milhões não sei e gostaria de obter mais dados”, declarou.Na verdade, alguns artistas vivem uma vida luxuosa e não conseguem justificar. O cachê do musical competitivo para fazer com que os artistas vivam luxuosamente com apartamentos não lhes permitem tanto. “É o caso de Gerilson Israel, Preto Show, Scro que Cuia,Jéssica Pitbull e muitos outros, cujas vidas merecem investigações de lavagem de dinheiro entram em força para branquear a fonte de satisfação deles”, notou a fonte.A IGAE contactada para dar o seu parecer sobre os ‘novos ricos’, o seu porta-voz, Daniel João, revelou que nunca ouviu falar do assunto, nem sequer do assunto, mas prometeu tratar com a área correspondente. Isso dentro de duas semanas teria uma resposta sobre o assunto. “Vou sentar como director de área para saber o tratamento a dar e fazer uma comunicação”, prometeu Daniel João.