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ANGOLA COM A AGRICULTURA QUE ESTAMOS COM ELA, QUE FUTURO?
Luanda — –/–/—-
🌾 Debate levanta preocupações sobre rumo da agricultura, segurança alimentar e defesa das sementes dos agricultores familiares.
Temos capacidade para apresentar argumentos em defesa dos interesses nacionais e dos das populações que reclamam o direito de não ficarem do lado de fora do salão de festas? De discutir o problema da introdução de sementes transgénicas, no que à defesa das sementes usadas por agricultores familiares diz respeito?
Na última Conversa na Mulemba o tema abordado foi o estado calamitoso da educação. O Titular do Poder Executivo, no princípio de Fevereiro, exonerou a ministra do sector e orientou a substituta para acabar com os alunos fora do sistema de ensino. Não aproveitou a ocasião para fazer um diagnóstico que permitisse perceber se realmente tem noção do conjunto de problemas existentes, diagnóstico esse fundamental para compreender que a solução dos mesmos não passa apenas pela tradicional mudança de liderança. Trata-se de uma tarefa que exige uma solução holística de envolvimento de todo o Executivo, o recurso a ideias suficientemente ousadas para atacar a complexidade dos problemas e também o envolvimento de toda a sociedade.
O tema agricultura que hoje trago à colação é igualmente de grande complexidade e não pode continuar a ser analisado como sendo da responsabilidade de um simples ministério ou da maior ou menor capacidade do respectivo ministro. Insisto que a questão agricultura tem de ser encarada em termos de uma lei do mínimo, ou dos factores limitantes, que condiciona os resultados do sector em função do nível de satisfação do factor em situação mais crítica.
O Executivo tem assumido um crescimento da produção agrícola, desde 2018, na ordem de 5-6%. Vive-se um momento de optimismo entre as instituições e os empresários. Contudo, analistas alertam que persistem fragilidades estruturais — desde o baixo peso orçamental do sector até às limitações institucionais, técnicas e logísticas.
O discurso oficial de aumento da produção não rima com indicadores que vão surgindo, nomeadamente ao nível da fome e da dependência de importações alimentares, que continuam elevadas.
Depois de vários programas e projectos com resultados abaixo das expectativas, surgem novas apostas com investimentos externos de grande escala. Ainda assim, permanecem reservas quanto à capacidade institucional do país para defender os interesses nacionais, sobretudo no debate sensível sobre a introdução de sementes transgénicas.
Tenho receio de que, uma vez mais, sejam tomadas decisões no segredo dos deuses e das consequências que daí poderão advir.
*Novo Jornal, 18.02.26
