Angola em Encruzilhada: Um Apelo ao Pacto Nacional para a Salvação da República

Angola em Encruzilhada: Um Apelo ao Pacto Nacional para a Salvação da República

Angola em Encruzilhada: Um Apelo ao Pacto Nacional para a Salvação da República

 

LUANDA – O panorama sociopolítico de Angola, frequentemente escrutinado por intelectuais e observadores, ganha nova dimensão com o veemente apelo de José Luís Mendonça. O ensaísta e jornalista propõe, em uma intervenção que ressoa nas redes sociais, “UM PACTO NACIONAL PARA SALVAR ANGOLA E OS ANGOLANOS”, uma convocatória que ecoa a urgência de uma nação em crise. Este manifesto, lido e contextualizado pelo jornalista Jorge Eurico, é mais do que uma denúncia; é um projeto político, um roteiro para extrair o país do que se afigura como um “pântano” de imobilismo.

A análise de Eurico aponta para uma paralisia sistémica, uma inércia que se manifesta no topo da governação. A responsabilidade, segundo o texto, não pode ser esquivada pelo Bureau Político e pelo Comité Central do MPLA, cujos silêncios e omissões arriscam-se a ser cobrados pela “História e a rua”. O aviso é claro: a inação do Grupo Parlamentar pode tornar a espera até 2027 um erro fatal.

O diagnóstico é um retrato da nação em crise: instabilidade social galopante, uma segurança pública em colapso e uma fome que se alastra. As instituições, segundo a narrativa, funcionam de forma anômala, e as conquistas pós-2017 parecem ter sido revertidas, deixando uma juventude sem horizontes e que opta pela emigração como única saída. O problema de fundo, já sobejamente conhecido no meio académico e político, é a persistente dependência do petróleo e a corrupção sistémica, agravadas por quatro décadas de conflito que ainda deixam cicatrizes abertas.

A Proposta de um Acordo de Princípios para a República

A solução apresentada é a de um pacto que transcenda a polarização partidária. Um acordo que congregue governo, oposição, sociedade civil, o tecido empresarial e as autoridades tradicionais em torno de um conjunto de compromissos concretos. Estes compromissos visariam a estabilização política, a superação da crise social e a garantia da segurança alimentar, elementos essenciais para restaurar a confiança nas instituições. A juventude, hoje marginalizada, é apontada como a protagonista deste renascimento, através de políticas que garantam educação, emprego e participação efetiva.

A eficácia deste pacto, no entanto, não residiria apenas na sua formulação, mas na sua concretização. Para tal, o texto sugere um comité independente para a monitorização, reformas estruturais anticompromissos, programas sociais de emergência e um investimento robusto na segurança pública, tudo sob a égide da transparência e da prestação de contas, de forma pública e inadiável.

O perigo da omissão é a conclusão mais contundente da análise. Chegar a 2027 com uma população exasperada e uma juventude sem nada a perder é a receita para uma convulsão social. É um “detonador” que as memórias da guerra não conseguirão travar. O alerta é categórico: o tempo para agir é agora, sob pena de Angola transitar da governação dos gabinetes para a “fúria das ruas”, onde “não vai haver BP, CC ou blindado que o cale”. O apelo de Mendonça, amplificado por Eurico, é uma chamada de atenção para que os que detêm o poder compreendam a urgência do momento histórico.