ATLA Contesta Decisão do Governo de Retirar Lotadores das Paragens de Táxi

ATLA Contesta Decisão do Governo de Retirar Lotadores das Paragens de Táxi

LUANDA – A Associação dos Taxistas e Lotadores de Angola (ATLA) manifestou a sua oposição à intenção do governo de retirar os lotadores das paragens de táxi, uma medida que visa combater o vandalismo e os atos de pilhagem registados recentemente, sobretudo em Luanda. A associação alerta para o risco de a medida criar um novo problema social, sem resolver a causa de fundo da criminalidade.

O presidente da ATLA, Leonardo Pascoal, defende que a maioria dos lotadores encontrou na atividade uma forma digna de subsistência e de reintegração social. “Foram jovens que, no passado, tiveram comportamentos indecorosos e até problemas com a justiça. Mas, com o nosso trabalho de organização, conseguimos mudar muitos comportamentos.

Hoje, eles estão integrados no setor do táxi, de forma cooperada e organizada”, afirmou.

A ATLA receia que a retirada desses jovens das paragens sem lhes dar uma alternativa de rendimento possa levá-los de volta à criminalidade. Leonardo Pascoal propôs ao governo uma colaboração para organizar e formalizar a função de lotador, que, segundo ele, já é uma realidade em Angola. “Se os retirarmos das paragens e não os acomodarmos noutra atividade, estaremos a criar outro problema”, alertou.

A associação garante que a sua função é essencial para a organização das paragens e que a sua retirada teria um impacto negativo no setor dos transportes públicos.

A falta de perspetivas e o desespero de uma geração sem oportunidades de trabalho estão a alimentar o aumento do índice de delinquência juvenil em centros urbanos como Luanda. O fenómeno, que se manifesta em pequenos assaltos, furtos e até na formação de gangues, não é apenas uma questão de segurança pública, mas um sintoma profundo de problemas socioeconómicos.

Especialistas e analistas sociais alertam que a pobreza e o desemprego são os principais catalisadores deste flagelo. Um jovem sem ocupação e sem rendimento, sem acesso a educação de qualidade ou a programas de reintegração social, é mais vulnerável à criminalidade. Muitos são levados a praticar atos ilícitos por instinto de sobrevivência, tornando o crime a única “oportunidade de emprego” disponível.