LUANDA – O líder da ala brasileira da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) em Angola, Alberto Segunda, está no centro de um escândalo que envolve a apropriação de 700 milhões de kwanzas (moeda de Angola) e acusações de tentativa de assassinato contra um ex-membro da igreja, Adrian Gama. A denúncia ganha contornos dramáticos com a suposta conivência do comandante da esquadra da Urbanização Nova Vida, o inspetor Hortega Francisco, e novos fatos que expõem um conflito em escalada.
A disputa, que se tornou pública em 2020, teve início após Gama ter seu patrimônio confiscado na campanha “Fogueira Santa”, um evento anual da igreja. Pressionada, a IURD devolveu os bens e propôs um acordo extrajudicial. No entanto, segundo a vítima, o acordo foi parcialmente descumprido, e a família foi abandonada em um apartamento alugado há três anos.
Escalada de intimidação e violência
Documentos apontam que o Bispo Alberto Segunda, líder da ala brasileira da IURD em Angola, e o Bispo António Ferraz, representante de Edir Macedo, teriam orquestrado uma série de processos judiciais para intimidar Adrian Gama.
No entanto, as ações foram arquivadas por se tratarem de um caso de natureza civil, e não criminal.
Com os processos frustrados, o Bispo Ferraz teria orientado o suposto proprietário do imóvel, Simão Contreiras, a despejar a família de Adrian Gama, mesmo sem um mandado judicial. A primeira tentativa de despejo também foi arquivada pelo Ministério Público.
A violência escalou na terça-feira (14). Por volta das 8h da manhã, os cidadãos Simão Contreiras, Pinto Leite e Jesus, acompanhados por cinco outros indivíduos, invadiram o apartamento de Adrian Gama.
Munidos de objetos cortantes, os agressores alegaram ter recebido ordens do Bispo António Ferraz para “fazer justiça com as próprias mãos”.
Apesar da intervenção policial, o grupo não foi detido. O Magistrado do Ministério Público, Dr. Aniceto Cavanda, foi acusado de sonegação da lei e favorecimento à IURD, o que gerou indignação e medo na família.
Ameaças e futuro incerto
Diante das ameaças de sequestro, dois filhos menores de idade de Adrian Gama foram impedidos de frequentar a escola.
A família vive sob constante ameaça, e teme-se que a situação piore. Para segunda-feira (26), um novo ato de despejo sem mandado judicial está programado, o que tem gerado grande preocupação.
A situação tem levantado questionamentos sobre a imparcialidade das autoridades locais e a necessidade de proteger a integridade dos cidadãos.
O estado, como guardião da justiça, é cobrado a intervir e a garantir que nenhum grupo, por mais influente que seja, possa agir acima da lei.
A Polícia Nacional é alertada para não permitir que seus agentes manchem a reputação da corporação com atos de favorecimento.
