BAMAKO, Mali – O ano de 2022 entrou para a história como o ponto de inflexão na longa e complexa relação entre o Mali e a França.
A “crise diplomática” que se arrastou por meses culminou num dramático “divórcio” que não só reconfigurou a diplomacia bilateral, mas também selou o destino da missão militar francesa na região, a Operação Barkhane.
A ruptura, que parecia inevitável, ganhou forma e força com a decisão da junta militar maliana de declarar o embaixador francês como “persona non grata”, expulsando-o do país.
Este ato simbólico foi um reflexo direto do crescente “braço de ferro” entre o governo de Assimi Goïta e a administração de Emmanuel Macron, impulsionado por um forte sentimento anti-francês nas ruas de Bamako.
Com a tensão no auge e a relação em um ponto sem retorno, a França anunciou o fim de sua Operação Barkhane no Mali, encerrando uma década de presença militar no Sahel.
A retirada dos soldados não foi apenas uma medida logística, mas um símbolo do fracasso de uma parceria de segurança que já não contava com o apoio da liderança maliana.
O “divórcio entre o Mali e a França” deixa um vácuo de poder e segurança na região, com consequências ainda por se desenrolar.
O fim da Operação Barkhane e a expulsão do embaixador não são apenas capítulos finais de uma crise; são o início de uma nova e incerta era para o Sahel, onde o Mali busca novos rumos, longe da influência da sua antiga potência colonial.
