Memórias do Cuito Bié: reencontro em plena guerra
Esta fotografia foi tirada no Cuito Bié, em casa de um amigo, no mês de março de 1976, num período marcado por intensas operações militares e pela incerteza provocada pela guerra em Angola.
Naquela altura, a minha esposa estava há mais de um ano sem notícias minhas. As condições da guerra tornavam as comunicações quase impossíveis, levando-a mesmo a acreditar que eu já não estivesse vivo.
Mesmo assim, movida pela esperança e pela coragem, decidiu viajar da sua terra natal até Luanda, onde embarcou num avião da TAAG com destino ao Bié para tentar encontrar-me.
Eu havia chegado ao Bié no dia 11 de março e, no dia seguinte, encontrava-me em Camacupa em operações militares quando recebi, através da rádio militar, a notícia de que a minha esposa tinha chegado ao Cuito.
Ainda assim, decidi deslocar-me ao Cuito. Quando lá cheguei, encontrei-a na casa de um camarada chamado Calulo, que a tinha acolhido.
Foi ali que aconteceu o reencontro. Na fotografia apareço com um violão, tocando e cantando para celebrar o momento em que nos voltámos a encontrar depois de tanto tempo de separação.
Mais do que uma simples fotografia, aquele momento representa uma história de amor, coragem e esperança em tempos difíceis.
