Memórias do Cuito Bié recordam reencontro durante a guerra em Angola em 1976 General Higino Carneiro

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Memórias do Cuito Bié: reencontro em plena guerra

Por General Francisco Higino Lopes Carneiro | Março de 1976

Esta fotografia foi tirada no Cuito Bié, em casa de um amigo, no mês de março de 1976, num período marcado por intensas operações militares e pela incerteza provocada pela guerra em Angola.

Naquela altura, a minha esposa estava há mais de um ano sem notícias minhas. As condições da guerra tornavam as comunicações quase impossíveis, levando-a mesmo a acreditar que eu já não estivesse vivo.

Mesmo assim, movida pela esperança e pela coragem, decidiu viajar da sua terra natal até Luanda, onde embarcou num avião da TAAG com destino ao Bié para tentar encontrar-me.

Eu havia chegado ao Bié no dia 11 de março e, no dia seguinte, encontrava-me em Camacupa em operações militares quando recebi, através da rádio militar, a notícia de que a minha esposa tinha chegado ao Cuito.

“Confesso que naquele momento não acreditei. Parecia impossível depois de tanto tempo sem notícias.”

Ainda assim, decidi deslocar-me ao Cuito. Quando lá cheguei, encontrei-a na casa de um camarada chamado Calulo, que a tinha acolhido.

Foi ali que aconteceu o reencontro. Na fotografia apareço com um violão, tocando e cantando para celebrar o momento em que nos voltámos a encontrar depois de tanto tempo de separação.

Mais do que uma simples fotografia, aquele momento representa uma história de amor, coragem e esperança em tempos difíceis.