Sábado, dia 19, uma actividade de ginástica desportiva, que pretendia demonstrar força política e promover a união partidária no município de Kilamba Kiaxi, acabou por revelar exactamente o contrário. O evento, marcado por jogos de futebol e momentos lúdicos para crianças, tornou-se palco de mais um episódio de contestação à Primeira Secretária do MPLA no município, Naulila André.
Apesar do ambiente aparentemente festivo, a ausência em massa de militantes foi interpretada como um acto silencioso de repúdio à sua liderança, expondo as fragilidades que se têm agravado nos últimos tempos. Segundo militantes ouvidos pela nossa redacção, há um sentimento generalizado de cansaço e frustração com o que classificam como uma gestão inoperante, distante das bases e sem qualquer estratégia eficaz para consolidar a coesão partidária.
“O partido precisa de alguém que saiba ouvir, motivar e unificar os militantes. Infelizmente, hoje temos uma líder que prefere impor-se do que dialogar. É um erro gravíssimo que está a custar a força do MPLA aqui”, criticou um militante, visivelmente indignado.
As imagens do evento ilustram com clareza o retrato desta liderança: crianças e adolescentes dispersos, sem orientação política ou organizativa, compondo o que muitos descrevem como um simples “kechi” – um aglomerado desordenado, sem estrutura nem propósito estratégico, que em nada dignifica a imagem do partido.
Para alguns observadores internos, a gestão de Naulila André tem falhado em aspectos básicos de mobilização, deixando evidente que a liderança actual não possui capacidade de gerar confiança, muito menos de projectar um futuro sólido para o MPLA em Kilamba Kiaxi. O silêncio dos militantes no campo traduz, na verdade, um grito de revolta contra a estagnação, a desorganização e o distanciamento político.
