Operadoras de autocarros despedem centenas de trabalhadores sem salário

Operadoras de autocarros despedem centenas de trabalhadores sem salário
Makamavulo News
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Operadoras de autocarros despedem centenas de trabalhadores sem salário
Agravamento das dificuldades havia sido antecipado com a retirada da subvenção do preço do bilhete.

Luanda — O sector do transporte rodoviário de passageiros enfrenta uma das suas fases mais críticas dos últimos anos, com despedimentos em massa a atingirem centenas de trabalhadores após o corte da subvenção ao preço dos bilhetes.

As transportadoras Viação Cidrália e Camcon já despediram mais de 60% dos seus quadros desde o último trimestre do ano passado, numa medida que as próprias empresas classificam como inevitável perante o colapso financeiro que enfrentam.

Segundo fontes empresariais, as operadoras encontram-se praticamente em falência técnica, resultado de uma combinação de factores que vem pressionando o sector há vários meses.

Crise financeira crescente

  • queda acentuada das receitas operacionais;
  • aumento dos custos de manutenção;
  • avarias frequentes na frota;
  • dificuldade no acesso a peças sobresselentes;
  • impacto directo da retirada da subvenção estatal ao bilhete.

Dados preliminares indicam que algumas empresas viram a sua frota operacional reduzir em mais de 60%, comprometendo gravemente a capacidade de resposta ao público.

Um gestor do sector admitiu que “sem o subsídio, o modelo de negócio tornou-se praticamente insustentável nas actuais condições do mercado”.

Alertas ignorados

Empresários do transporte colectivo afirmam que o agravamento do cenário já havia sido antecipado quando o Governo avançou com a retirada gradual da subvenção.

Na altura, associações do sector solicitaram revisão do corte dos subsídios, criação de linhas de crédito para renovação de frota, facilitação da importação de peças e um período de transição mais alargado.

Segundo operadores ouvidos, muitos desses apelos não tiveram resposta efectiva, levando várias empresas a adoptar medidas de emergência, incluindo despedimentos e redução de rotas.

Impacto social preocupa

Especialistas alertam que a crise no transporte urbano pode gerar efeitos em cadeia, nomeadamente aumento do desemprego no sector, redução da oferta de transporte público, pressão sobre o custo de mobilidade dos cidadãos e maior sobrecarga do transporte informal.

Utentes já começam a relatar maior tempo de espera nas paragens e sobrelotação em algumas rotas urbanas.

Sector à espera de medidas

Até ao momento, não foi anunciada qualquer medida estrutural de alívio para as transportadoras. No entanto, operadores mantêm a expectativa de que o Executivo possa reavaliar o modelo de subvenção ou avançar com mecanismos de apoio ao sector.

Sem uma intervenção, alertam fontes empresariais, novos despedimentos poderão ocorrer nos próximos meses.

Makamavulo News — em actualização