Luanda — Um clima de crescente tensão institucional estará a instalar-se no seio da Sonangol, onde fontes internas apontam para um alegado braço-de-ferro entre o presidente do conselho de administração (PCA), conhecido nos corredores como “Pai Querida”, e a directora de Recursos Humanos, Aurora Cardoso.
Segundo relatos recolhidos junto de quadros da petrolífera estatal, a responsável dos Recursos Humanos terá vindo a consolidar um nível de influência considerado “invulgar” dentro da estrutura da empresa, intervindo — directa ou indirectamente — em matérias que tradicionalmente ultrapassariam a sua esfera funcional.
Fontes que acompanham o funcionamento interno da Sonangol descrevem um ambiente de desconforto entre gestores intermédios, que se dizem surpreendidos com o peso decisório atribuído à área de Recursos Humanos em processos estratégicos, nomeadamente movimentações de quadros, reestruturações internas e validação de perfis para posições sensíveis.
Alegações de pressão e centralização
De acordo com as mesmas fontes, Aurora Cardoso terá reforçado a sua posição através de uma rede de influência que se estenderia para além da empresa, factor que — alegadamente — estaria a limitar a margem de manobra do PCA em determinadas decisões.
Há também quem sustente que decisões recentes relacionadas com nomeações e redistribuição de pessoal terão gerado mal-estar entre trabalhadores, sobretudo em áreas técnicas, onde se questiona a transparência de alguns processos.
“Há uma percepção de centralização excessiva e de interferência em matérias que deveriam seguir canais institucionais claros”, referiu um quadro sénior sob condição de anonimato.
Silêncio oficial
Até ao momento, nem a administração da Sonangol nem Aurora Cardoso se pronunciaram publicamente sobre as alegações. Também não há confirmação oficial de qualquer conflito formal entre a presidência do conselho de administração e a direcção de Recursos Humanos.
Analistas do sector petrolífero alertam que, caso se confirme a existência de fricções internas ao mais alto nível, a situação poderá afectar o ambiente de governação corporativa da empresa, num momento em que a Sonangol procura reforçar padrões de transparência e eficiência.
Impacto potencial
Especialistas em governação empresarial ouvidos por este portal sublinham que disputas de poder em empresas públicas estratégicas tendem a produzir efeitos colaterais relevantes, incluindo:
- atrasos em decisões estruturantes;
- desmotivação de quadros técnicos;
- ruído institucional junto de parceiros;
- fragilização da cadeia de comando.
Para já, o caso continua envolto em silêncio oficial, enquanto cresce a expectativa interna sobre eventuais clarificações por parte da liderança da petrolífera nacional.
Esta é uma notícia em desenvolvimento.
