População vão regressar às ruas de Luanda em manifestação no próximo dia 26 de Julho de 2025

População vão regressar às ruas de Luanda em manifestação no próximo dia 26 de Julho de 2025

De acordo com Adilson Manuel, porta-voz do denominado movimento social contra o decreto que aprova o reajuste do preço do combustível em Angola e a subida dos transportes coletivos, na marcha de sábado o povo manifestou o seu descontentamento face à medida governamental.

O ativista, que falava em conferência de imprensa de balanço da manifestação de sábado, em Luanda, disse que a organização registou nove feridos, sendo três com lesões graves, e 17 detidos como resultado da “postura autocrática” da polícia nacional.

Adilson Manuel afirmou que as detenções foram arbitrárias e adiantou que 16 pessoas foram soltas no mesmo dia, continuando uma detida, a qual deve ser julgada hoje sumariamente por alegadas ofensas às autoridades.

“O balanço que o movimento faz é positivo e negativo. Positivo, porque fizemos chegar a informação e mostrámos o nosso descontentamento, e negativo porque a polícia vestiu vestes autocráticas e não permitiu que a marcha seguisse o seu destino traçado”, lamentou.

A polícia angolana dispersou no sábado com o lançamento de gás lacrimogéneo a marcha de centenas de cidadãos que protestavam, em Luanda, contra o aumento do preço do combustível e dos transportes coletivos, criticando as autoridades governamentais.

Centenas de cidadãos, entre ativistas, membros da sociedade civil, taxistas, vendedores, estudantes e membros de partidos políticos na oposição juntaram-se à marcha, que partiu do Mercado de São Paulo visando atingir o Largo da Maianga, mas que foi travada pela polícia à entrada do Largo da Independência.

Hoje, no balanço dos protestos, a organização anunciou que os cidadãos vão regressar à rua em manifestação no próximo dia 26 deste mês, mas antes vai remeter ao Presidente angolano, João Loureço, e à ministra das Finanças, Vera Daves, uma petição para a revisão do decreto que ajusta os preços dos combustíveis.

O povo “não suporta e não suportará os encargos devido à subida do preço dos combustíveis e dos serviços de táxi públicos e privados. Isto o povo não quer. O combustível é hoje o barómetro da vida em sociedade, ainda mais em sociedade como a nossa que o nível e o custo de vida são altíssimos”, referiu o ativista.

Adilson Manuel considerou que o desemprego, a fome, a pobreza, a criminalidade e as assimetrias sociais “são hoje problemas que agravam a situação de vida dos cidadãos em Angola”, observando que uma sociedade assim “não vive e nem sobrevive, padece aos poucos”.

Criticou também as medidas políticas e económicas do Governo angolano, que considerou estarem “divorciadas do bem-estar social” e estarem a formar “cemitérios sociais”, ao invés de uma sociedade de futuro.

“Chega, basta, ouçam o povo, enxuguem as lágrimas do povo, revoguem o decreto executivo e melhorem a qualidade de vida do povo com políticas de concordância popular e não com imposições de decretos que legitimam a pobreza, a fome e a exclusão social”, declarou.

O porta-voz do Comando Geral da Polícia de Angola, subcomissário Mateus Rodrigues, disse, no sábado, em declarações à Televisão Pública de Angola (TPA), que a intervenção da polícia na marcha “visou manter a ordem e tranquilidade públicas, uma vez que os manifestantes não obedeceram ao itinerário”, adiantando que duas pessoas ficaram feridas na sequência dos protestos.

A UNITA (maior partido na oposição) condenou hoje, em comunicado, os atos da polícia contra a integridade física dos manifestantes, e em particular de alguns dos seus deputados, que se juntaram aos protestos, referindo que a marcha resultou em detenções arbitrárias e dezenas de feridos.

Segundo a UNITA, o “regime, ao arrepio da Constituição e da lei, usou da violência e abusou da força policial para reprimir uma manifestação pacífica e sem armas”.